O retorno de uma lenda! Eddie Murphy volta ao papel que lhe consolidou como astro 40 anos depois do primeiro, trazendo um longa decente que finalmente tira o gosto amargo do terceiro capítulo e abraça a nostalgia num tributo a uma das mais franquias de ação de Hollywood.

Uma das características que gosto em Hollywood, é a capacidade de resgatar nostalgia e transforma-la em algo atrativo para o público. Quando acerta, filmes como “Top Gun: Marverick” e “Jurassic World”, até mesmo os recentes “Creed III” e “Bad Boys: Até o Fim”, são exemplos de que quando bem feitos, sequências baseadas na nostalgia funcionam não só para renovar narrativas, mas também para valorizar veteranos e jovens astros os apresentando a uma nova geração.
Seguindo esta linha e depois de várias tentativas frustradas de fazer acontecer, “Um Tira da Pesada 4: Axel F” (Beverly Hills Cop: Axel F, 2024) finalmente ganha vida, não só para superar o fraquíssimo terceiro filme, mas também trazer Axel Foley (Eddie Murphy) para o século 21 ao mesmo tempo em que resgata elementos que fizeram os dois primeiros filmes clássicos dos anos 80 e até hoje celebrado como os filmes mais bem sucedidos daquela década.
Depois de muitos estúdios dispensarem e fecharem a porta para Eddie Murphy (Um Principe em Nova York 2), inclusive Paramount Pictures, responsável pela distribuição dos três primeiros. Foi ai que a Netflix decidiu investir no quarto filme da franquia que tem a produção dos gigantes Don Simpson e Jerry Bruckheimer, além é claro do próprio Murphy, para garantir que a obra sai da forma certa.

E funcionou? Devo dizer que na maior parte do tempo sim, muito por conta deste resgate da nostalgia citado anteriormente. O roteiro escrito por Will Beall (Bad Boys: Até o Fim) faz o que o longa anterior não fez, respeitou o material original, mantendo os elementos chaves que fizeram da franquia um sucesso, além de é claro, atualizar o personagem para o presente como deveria ter sido feito anteriormente.
Então encontramos o detetive Axel Foley trabalhando numa Detroit de 2024, subordinado a Jeffrey Friedman (Paul Reiser), agora delegado e seu amigo pessoal. A narrativa corre em paralelo com a trama em Beverly Hills aquecendo com a filha de Axel, a defensora pública Jane Saunders (Taylour Paige), se envolvendo numa teia de mistérios envolvendo seu cliente, que acaba sendo parte de um antigo caso de Billy Rosewood (Judge Reinhold).
Toda esta narrativa e o precoce desaparecimento de Billy, leva Axel de volta a Beverly Hills para resolver o caso e ainda tentar se reconectar com a filha. É claro que esta história já foi vista em outros longas, mas é algo que ajuda a humanizar o protagonista e mostra que sua trama não parou no tempo, mas teve um seguimento, afinal são 30 anos desde o terceiro filme e mais 40 anos desde o longa original.

A direção do novato Mike Molloy é segura, principalmente por respeitar o que foi estabelecido por Martin Brest e Tony Scott nos anos 80, focando no lado investigativo da narrativa enquanto estabelece vínculos, neste ponto, quando Axel retorna a Beverly Hills, tudo flui bem, como se estivéssemos encontrando um velho amigo, com sequência dos personagens andando de carro pelos quarteirões mais caros do EUA e vendo o quanto as coisas mudaram em quatro décadas.
É neste ponto que “Um Tira da Pesada 4: Axel F” se torna um longa muito bom de acompanhar, porque se torna especial ao saber tocar o tema clássico do Foley nos momentos certos, ao mesmo tempo que atualiza a trilha sonora para acordes modernos e também recheada com muito hip hop, rap e R&B, realmente mostrando que a franquia ainda tem boas surpresas na sonoridade.
Em termos de produção, o filme de US$ 150 milhões não economiza na fotografia e nas sequências de ação, que apesar de serem pontuais, tentam fazer jus a grandiosidade que o filme tenta passar, com tiroteios no meio da rua, ou sequências com Axel andando de caminhão arrebentando metade da cidade no meio do caminho. E tudo não soa desenfreado, mas pontual, mas uma vez ponto positivo para direção.

Neste ponto, o elenco misturando veteranos e novatos é outro ponto de destaque, Eddie Murphy como sempre é o grande destaque, mas desta vez mesmo o personagem mais contido, notasse um amadurecimento de Axel, um cara divorciado, que continua falastrão, mas agora mostrando seu lado pai, deixando inclusive os riscos, para proteger quem ama, pessoalmente foi um dos melhores fatores deste novo longa.
A adição de Joseph Gordon Levitt (A Origem) no papel do detetive Bobby Abbott foi uma grata surpresa, além de servir como interesse amoroso para Jane, o personagem ainda funciona como dupla para Axel, entrando em ação nos momentos certos, sem tomar o holofote para si. A atriz Taylour Paige (A Voz Suprema do Blues) é uma boa adição, linda, inteligente e responsável por travar bons diálogos com Eddie Murphy, numa relação complicado de sua personagem com pai, trazendo uma maturidade necessária para o filme.
O retorno de Judge Reinhold como Billy é sempre legal de acompanhar, desta vez o personagem realmente é usado da forma certa, assim como John Ashton no papel do agora Taggart, num bem vindo retorno que ainda traz boas surpresas (Maureen, aparecendo?…finalmente), assim como o retorno do sempre hilário Bronson Pinchot no papel de Serge. Todos mais velhos, porém, todos com funções bem definidas aparecendo nos momentos em que se tornam uteis para a narrativa.

O vilão da vez é interpretado por Kevin Bacon (O Mundo Depois de Nós) no papel do Capitão Cade Grant, traz um pouco mais carisma e inteligência para trama, que obriga Axel usar sua malandragem para superar um inimigo que sabe todos seus passos. Aliás, o filme cresce quando não se torna óbvio, gerando uma trama amarradinha do começo ao fim, o que não deve decepcionar os expectadores.
O que talvez não funciona bem, seja a comédia, que aqui é bastante contida, inclusive a ação se sobressai melhor, destaque para sequência histérica de Abbott pilotando um helicóptero em plena Los Angeles com Axel completamente surtado. Outro ponto também, é o fato do filme ter um ritmo um pouco mais lento que o normal, talvez falte um pouco de dinamismo dos primeiros longas, no entanto, não prejudica o resultado final.
Por tudo que foi comentado, podemos dizer que “Um Tira da Pesada 4: Axel F” é uma empreitada bem sucedida, que demorou anos para sair, mas ao menos saiu da forma correta, entregando um longa que é diversão pura, que tem suas pretensões, mas não possui exageros, apenas cuidado, principalmente quando trata Axel Foley como ótimo personagem que é, finalmente mostrando porque a franquia transformou Eddie Murphy num dos maiores astros pretos da história do cinema e um dos gigantes de Hollywood. E pensar que tudo começou com pretinho carismático de Detroit que não só conquistou Beverly Hills, mas o mundo. Bem vindo de volta Axel, sentimos sua falta.

Quadrilogia Axel Foley, leia abaixo:
– Um Tira da Pesada I, leia aqui.
– Um Tira da Pesada II, leia aqui.
– Um Tira da Pesada III, leia aqui.
Gostou? Veja o trailer e comente sobre o que achou deste novo longa.

4 comentários sobre ““Um Tira da Pesada 4: Axel F” – Crítica”