Uma sequência ainda melhor? O segundo filme da franquia traz ação da boa, o retorno de um Eddie Murphy carismático, repetindo a fórmula que deu certo num longa tão bom quanto o original.

Criar sequências não é uma tarefa fácil, ainda mais se o primeiro filme se torna um sucesso gigantesco, gerando expectativas ainda maiores no público que querem reviver aquele universo estabelecido. Sequências como “Duro de Matar 2”, “Exterminador do Futuro 2”, “Star Wars: O Império Contra-Ataca”, “De Volta Para o Futuro 2”, são exemplos de sequências que superam o original com facilidade e dão um tom de como fazer um excelente capítulo 2.
Felizmente, isto também acontece com a sequência do sucesso de ação e comédia de 1984, “Um Tira da Pesada”. O longa protagonizado por Eddie Murphy (Um Príncipe em Nova York 2), retornando ao papel de Axel Foley três anos depois do original em “Um Tira da Pesada 2” (Beverly Hills Cop 2, 1984), quando o policial precisa retornar a Beverly Hills para ajudar Billy Rosewood (Judge Reinhold) e John Taggart (John Ashton) a investigar a tentativa de assassinato do chefe Bogomil (Ronny Cox), que pode estar ligado a uma série de roubos que está ocorrendo na cidade.
Como toda sequência, quando já se conhece o universo, a sensação de retornar para algo familiar é sempre bom. Claramente vemos aqui um cuidado no roteiro agora assinado pela dupla Larry Ferguson (Caçada ao Outubro Vermelho) e Warren Skaaren (Batman), baseado numa história desenvolvida por Robert D. Wachs (O Rapto do Menino Dourado) e pelo próprio Eddie Murphy, que possui um controle maior do projeto, assinando também como produtor.

Este cuidado é para não mexer na estrutura que deu certo no original e adicionar alguns elementos que traga alguma sensação de novo para trama. A mudança da direção também tenta dar esse frescor, saindo Martin Brest, entrando Tony Scott, contratado pelos produtores Don Simpson e Jerry Bruckheimer devido ao seu sucesso em “Top Gun: Ases Indomáveis”. O diretor até consegue em parte trazer seu estilo para um filme, mas logo se vê que a história em si não dá muitos espaços para inovações.
A trama começa como sempre em Detroit, Axel agora investigando um esquema de falsificação de cartão de créditos junto com seu parceiro Jeffrey Friedman (Paul Reiser) para desespero do seu chefe, o inspetor Todd (Gilbert R. Hill). Sua missão é interrompida, quando precisa ir as pressas para Beverly Hills quando o tenente Bogomil sofre um atentado. Neste ponto, o roteiro repete exatamente a mesma vibe do original, mas sem o mesmo frescor, porém notasse aqui uma tentativa de criar um laço maior entre os personagens.
Enquanto no primeiro filme Axel roubava todas as cenas, aqui Billy Rosewood ganha um pouco mais de espaço, assim como Taggart. A verdade é que o roteiro trabalha bem o trio com bons diálogos e momentos engraçados, destacando uma sequência num clube de strip-tease e a cena da mansão da Playboy.

Tirando isto, a trama de investigação segue a mesma estrutura do original, mas com vilões mais violentos representados pelo misterioso Maxwell Dent (Jurgen Prochnow) e a bela e letal Karla Fry (Brigitte Nielsen). O estilo investigativo serve de veículo para Eddie Murphy esbanjar o carisma de sempre, com seu Axel sempre inteligente o suficiente para usar sua lábia para entrar e sair das enrascadas, agora com a companhia de Billy e Taggart.
Fica claro que “Um Tira da Pesada 2” é uma sequência bem segura que consegue consolidar o que deu certo, aumentando um pouco mais a ação, mas entregando tudo aquilo que o público espera e gostou no original. Porém, fica nítido também as escassezes de ideias, onde se vê claramente a repetição de uma fórmula que pode até não ter ficado manjada, mas que claramente não teria como ser replicada de novo.
De uma forma geral, esta obra é muito boa, Eddie Murphy continua com carisma intacto e agora ganha a companhia de amigos, mais envolvidos na trama. O longa mistura bem ação e comédia, além de continuar usando de forma bastante eficiente a trilha sonora, incluindo o marcante tema oficial, sem falar nos sucessos de 87 que deixam o filme ainda mais charmoso e gostoso de assistir. Se gostou do original, este aqui funciona, até mesmo numa revisão, já que o filme não parece datado e o ritmo continua muito bom.

Quadrilogia Axel Foley, leia abaixo:
– Um Tira da Pesada I, leia aqui.
– Um Tira da Pesada III, leia aqui.
– Um Tira da Pesada IV, leia aqui.
Gostou? Veja o trailer e comente abaixo sobre o que achou desta sequência.

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