O ciclo se fecha. A animação da Netflix chega ao fim cercada de muita aventura, romance, ação e dinossauros, trazendo um desfecho bastante satisfatório e agridoce.

Um grande fato no mundo do entretenimento é saber que toda jornada tem um começo e um fim, isso faz parte de um arco narrativo que carrega os telespectadores durante um determinado período, seja em filmes, seja em séries e suas muitas temporadas. A verdade é que em determinados momentos os criadores precisam saber a hora de finalizar a história que estão contando, seja para o bem dos telespectadores, seja para o bem dos showrunners que evitam assim chegar em um bloqueio criativo que atinge sempre séries longas.
Dentre essas séries, chegou a vez da animação da Netflix em parceria com a Universal e Amblin, “Jurassic World: Acampamento Jurássico” (Jurassic World: Camp Cretaceous, 2020-2022), que chega a sua quinta e derradeira temporada com a obrigação de encerrar um ciclo e dar um desfecho para Darius, Kenji, Brooklyn, Yasmina, Ben e Sammy, que ficaram meses presos na ilha Nublar, mas que agora tentam de uma vez por todas, escapar do lugar que ainda continua infestado de dinossauros perigosos.
A quarta temporada foi marcada por um prolongamento do número de episódios, o que acabou pesando na qualidade da animação, que por mais que tenha melhorado esteticamente, já dava sinais de falta de criatividade colocando os dinossauros como coadjuvantes. Nesta última temporada, os dinos voltam ao foco e proporcionando diversos momentos interessantes e trazendo um pouco da urgência e do perigoso das três primeiras temporadas.

Quando a série retorna com o episódio “Reunião” (5×01), seguimos direto o gancho deixado na temporada anterior com Kenji ficando cara a cara com seu pai, senhor Kon, que chega cheio de suspeitas, mas como uma esperança do grupo de amigos finalmente conseguirem ir pra casa. Porém as coisas não são bem o que parecem, mostrando que o pai de Kenji é tudo, menos a pessoa boa que eles imaginavam ser.
A primeira metade da temporada traz Darius e companhia tentando desvendar os mistérios da chegada do senhor Kon e como o empresário pode estar ligado a todos os podres da Mantah Corp. Os episódios “O último teste” (5×02) e “Frentes de batalha” (5×03) são bastante movimentados e mostram os inimigos cada vez mais no controle dos dinossauros com seus chips e controles remotos, revelando também um dos pontos fracos da temporada.
Minha maior crítica a temporada anterior, foi o exagero no uso de drones e robôs para servirem de inimigos para crianças, meio que perdeu a essência do que era o estilo de sobrevivência em um local hostil das três temporadas anteriores. A quinta temporada corrige esse problema tirando os robôs, mas ao manter os drones e os controles remotos, acabamos por ter dinossauros ferozes sendo controlados como, pasmem robôs, tornando tudo muito “sem graça”, por assim dizer.

Todo esse plot parece algo descartado das versões live action, que algum “gênio” achou que ficaria boa numa animação, espero que não seja ideia do showrunner Zack Stentz, confesso que não é uma ideia ruim, porém foi usada de forma muito extensiva nesta temporada que cansou, praticamente do começo ao fim. Outro ponto foi o arco do Kenji nesta temporada, difícil de engolir, o personagem consegue trair os amigos durante um longo tempo a partir de “Achando uma Saída” (5×04) e isso cria uma antipatia em um dos melhores personagens da animação.
Esse problema com Kenji, ao menos serve para um desenvolvimento interessante para os personagens Darius e Brooklyn, o primeiro que vê seu melhor amigo seguindo por um caminho quase sem volta e a segunda sua namorada, tendo uma decepção já no começo do enlace entre os dois. Uma coisa que não podemos reclamar de “Acampamento Jurássico” é seu senso de aventura, que aqui não para em nenhum momento.
Esta talvez seja a temporada rápida que já vi mesmo com 12 episódios, você sente que o tempo passa muito rápido e o desenvolvimento é rápido sem perder as conexões com os filmes. Inclusive, o episódio “Terremoto” (5×05) e “Longe do Bando” (5×06) temos o primeiro vislumbre do fim da Ilha Nublar e a aparição de um personagem conhecido dos filmes e que é vilão central de “Jurassic World: Domínio” que estreou a pouco tempo no cinema.

A animação também ganha pontos por trazer desenvolvimento de personagens de forma sublime, não só com a dinâmica Kenji, Brooklyn e Darius, temos também Ben, Mae Turner, sem falar em Sammy no episódio “Confiança” (5×07) ganhando destaque e uma ótimo desenvolvimento sobre o relacionamento entre a mesma e Yasmina onde a narrativa finalmente abraça o sentimento das duas consolidando o segundo romance do grupo no episódio “O Núcleo” (5×09).
O arco narrativo começa a afunilar em “Fuga” (5×08) e “Chegada” (5×10) onde a série parece não perder tempo preparando-nos para o final. Confesso que o sentimento de fim não fica muito claro até chegarmos nos últimos três episódios, mas o senso de nostalgia e despedida esta por toda parte, principalmente quando vemos antigos aliados (um dino amigo de Ben vai fazer a alegria de muitos fãs) retornarem (humanos e dinossauros) e a presença do irmão de Darius, Brandon, além dos campistas Roxie e Dave se aproximando cada vez mais de encontrar o grupo.
A verdade é que “Acampamento Jurássico” é uma aventura que é impossível não se apegar, o capricho dos roteiristas em nos fazer importar com esses personagens é simplesmente incrível, porque sentimos e torcemos por eles o tempo todo, cada um a seu modo e por mais que algum desenvolvimento tenha sido aquém do esperamos, no final o arco dramático de todos eles funcionam de forma tão orgânica.

No geral, a série entrega sim um final simplesmente incrível e cheio de tudo aquilo que gostamos na série, ação, romance e viradas emocionantes, sem falar que Darius, a alma da série, consegue finalmente reencontrar o irmão e um dos momentos mais memoráveis de toda a animação, se você se importa com animação, você sente o impacto da cena. Outro momento bacana são os dinossauros de gladiando entre si no decisivo “A Última Batalha” (5×11) com direito a momento “lágrimas dos olhos” com desfecho recheado de gancho com uma tragédia de um dos dinos em questão.
A animação ainda se eterniza no impecável final de série “Os Seis da Ilha Nublar” (5×12), é lindo ver as crianças encontrando suas respectivas famílias, sem falar na surpresinha final que vai deixar qualquer fã da série saudoso feliz com o futuro desses personagens, deixando um gostinho de quero mais. No final das contas “Acampamento Jurássico” termina como uma das melhores parte do universo “Jurassic Park”, feito com esmero e cuidado com carinho, esta quinta temporada pode não ter sido perfeita, mas entregou tudo aquilo que nós esperávamos e um pouco mais, fazendo um final lindo e honroso, nos fazendo amar ainda mais dinossauros, assim como os seis da ilha Nublar, uma mistura que deu certo, que deixou nosso coração quentinho e ficará guardada no coração dos fãs mais saudosos.
Gostou? Assista ao trailer da última temporada abaixo. Se já assistiu, me diga o que achou do final.


5 comentários sobre ““Jurassic World: Acampamento Jurássico” – 5° Temporada – Crítica”