Três é um charme? Não desta vez, apesar de alguns momentos engraçados, o terceiro longa da franquia dá sinais de desgaste, perde um pouco da sua originalidade e entrega um filme abaixo dos longas anteriores, mesmo com a presença do sempre carismático Eddie Murphy.

Demorou, mas aconteceu. Existe uma certa incógnita quando falamos de trilogia em Hollywood. É notável que muitas delas acabam fracassando e mostrando um esgotamento das ideias que fizeram os dois filmes anteriores um sucesso. Poucas se salvam deste destino, mas a maioria acaba sucumbindo ao desgaste da pior forma possível, deixando muito evidente que foram feitas pensando mais em lucro do que contar uma boa história.
Infelizmente este é o sentimento da produção da Paramount Pictures, “Um Tira da Pesada 3” (Beverly Hills Cop 3, 1994), que se passa sete anos do capítulo 2, trazendo Axel Foley (Eddie Murphy) de volta as telonas embarcando em uma nova investigação em Beverly Hills após o assassinato brutal do inspector Todd (Gilbert R. Hill) durante uma batida policial onde investigavam uma quadrilha de roubo de carros, que acaba deixando uma trilha de pistas que leva o detetive a um parque temático.
Não existe muito o que celebrar neste retorno de Foley, agora no meio da década de 90, perdendo todo o charme dos longas anteriores. Infelizmente, não existe um cuidado em escrever algo que atualize o personagem para esta nova era. Então a direção de John Landis (Os Irmãos Cara de Pau), pouco tem a contribuir a não ser entregando um trabalho protocolar, transformando este filme da franquia em uma longa genérico.

É desta forma, que “Um Tira da Pesada 3” destrói as expectativas, descontruindo tudo aquilo que fez sucesso na franquia, a começar pelo tema chave, que toca poucas vezes durante a trama. Sem falar que Eddie Murphy (Dreamgirls: Em Busca de Um Sonho) parece ter perdido o gás como Axel, que aqui tenta de todas as formas segurar o filme, mas o roteiro de Steven E. de Sousa (Duro de Matar) é tão sem inspiração, que o personagem inteligente dos dois longas anteriores se esvai, sobrando uma caricatura pouco inteligente daquilo que foi no passado.
O filme não para por aí, a trama que se passa no parque “Wonder World” é piegas, boba e muitas vezes sem sentido. Infelizmente esta terceira parte se tornou uma paródia de si mesma. Inclusive, por reprisar tantas vezes na TV aberta, acaba que acostumamos com o humor pastelão que aparece em diversos momentos da narrativa, momentos estes que chegam a ser constrangedores.
Tudo isto é acentuado pela total descaracterização dos personagens, Billy Rosewood (Judge Reinhold) aparece pouco, mas quando aparece vira um alívio cômico bobo. John Taggart (John Ashton) toma um chá de sumiço, sendo substituído por uma versão genérica de nome Jon Flint (Hector Elizondo). O vilão Ellis De Wald (Timothy Carhart) é genérico com pouca personalidade, não que os outros também fossem, mas este é descarado, inclusive explicando o que vai fazer antes de fazer.

Talvez o mais decepcionante, seja a pouca evolução da franquia neste capítulo 3, Axel mais calmo, ainda tem lampejos do que foi mostrando Eddie Murphy tentando algumas graças, mas todas soam ridículas e fora de hora. O roteiro tenta uma evolução para o personagem, colocando um interesse amoroso na pele da bela Janice Perkins (Theresa Randle), mas até o romance é pouco explorado na trama.
Nem tudo é uma tragédia nesta obra, confesso que a participação de Bronson Pinchot na pele do carismático Serge, sempre me faz abrir um sorriso. As sequências de ação são pouco inspiradas, mas ajudam a passar o tempo, a sequência que Axel salva duas crianças em um brinquedo é previsível, mas funciona. A sequência final no parque também é boa, a comédia pelo menos funciona em alguns momentos, destaque para sequência do personagem usando a arma “aniquilação”.
No geral, “Um Tira da Pesada 3” é um filme meia boca, um esqueleto daquilo que foi anteriormente uma das melhores comédias de ação dos anos 80. Ao mudar de década, a franquia não soube se adaptar a nova realidade, soando como uma piada de si mesma. Eddie Murphy até tenta, mas nada consegue salvar um filme que pode até funcionar como sessão da tarde, porém no final das contas soa como um indesejado prego no caixão de uma franquia que não merecia um capítulo 3 tão sem alma.

Quadrilogia Axel Foley, leia abaixo:
– Um Tira da Pesada I, leia aqui.
– Um Tira da Pesada II, leia aqui.
– Um Tira da Pesada IV, leia aqui.
Gostou? Veja o trailer e comente sobre o que achou deste filme.

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