“Creed II” – Crítica

Esta sequência do longa de 2015, traz um novo diretor, mas mantém tudo que deu certo no longa anterior e foca nas lutas para entregar entretenimento num duelo poderoso entre Adonis Creed e Viktor Drago.

Fonte: Warner Bros Pictures

Após o sucesso do bem sucedido “Creed – Nascido para Lutar”, era certo que a Warner Bros não iria deixar de pensar em produzir uma sequência para uma potencial nova franquia que surgia em meados de 2015. O mais difícil para este tipo de continuação, é conseguir manter o nível do original e em poucos casos, superar em termos de apelo e consagração da crítica. Pouco exemplos são bem sucedidos nesta empreitada, podemos citar o recente “Top Gun: Maverick” e o excelente “Batman: O Cavaleiro das Trevas” de 2008, bem como “Homem Aranha 2”, “John Wick 2”, dentre outras produções que conseguiram superar seus filmes originais.

Estou citando estes exemplos, para falar da sequência “Creed II” (Creed 2, 2018), longa que traz o retorno de Michael B. Jordan (Pantera Negra), Sylvester Stallone (Tulsa King) e Tessa Thompson (Thor: Amor e Trovão) em seus respectivos papéis e sobre a batuta do diretor Steven Caple Jr (The Land), substituindo Ryan Coogler que estava atarefado com “Pantera Negra” na época, servindo aqui apenas como produtor, deixando Caple tocar o barco de uma franquia em movimento.

Enquanto o primeiro filme buscava o equilíbrio entre nostalgia e o novo dentro do universo de Rocky, colocando Adonis Creed (Jordan) para sair da sombra de seu pai para se tornar um grande lutador, o segundo filme é sobre superar traumas do passado quando a figura de Viktor Drago (Florian Munteanu), sim o filho de Ivan Drago (Dolph Lundgren), surge para desafiar Creed quando o boxeador se encontra no auge da fama e com todos os holofotes voltados para si o tornando a sensação do momento.

Fonte: Warner Bros Pictures

O roteiro assinado desta vez por Juel Taylor (Space Jam 2: Um Novo Legado) e pelo próprio Sylvester Stallone (Creed – Nascido para Lutar), não tem o mesmo peso dramático do filme anterior, mas consegue manter a trama aquecida ao costurar uma sequência que é ligada diretamente ao longa Rocky IV, servindo como uma espécie de continuação espiritual, por assim dizer, com a chance de um membro da família Creed se vingar do destino trágico de Apollo num confronto direto com herdeiro da família Drago.

O mais interessante de “Creed II” é o fato de a trama focar nas consequências deste decisivo confronto para Adonis, que agora está casado com cantora Bianca (Tessa Thompson) e tem uma filha preste a nascer, ou seja, o esportista tem muito mais a perder nesta luta do que seu algoz. A figura de Rocky (Stallone) entra como a voz da consciência e da razão para seu pupilo tentando conter seu ímpeto que pode leva-lo a ruina, além é claro reavaliar seu passado ao encontrar Ivan Drago frente-a-frente desde o confronto décadas atrás.

O longa é no geral bem desenvolvido e apesar de ter longos 130 minutos, é bastante movimentado sem pesar no melodrama. As sequências de luta continuam sendo o ponto alto, mas sem o toque de originalidade imprimido por Coogler no longa anterior, mas isso não torna esta sequência algo inferior, mas claramente algo mais voltado para o entretenimento com chances de agradar principalmente os fãs da franquia Rocky.

A produção também mostra que o orçamento melhorou, dando um ar mais grandioso principalmente na luta final entre Creed e Drago no terceiro ato, cheio de pompa conseguindo criar toda uma atmosfera com dois lados bem definidos, mas sem trazer a aura “capitalismo norte americano versus comunismo russo” do filme original com Stallone e Lungdren, seguindo a atmosfera estabelecida no longa anterior trazendo um guetto norte americano versus guetto russo com dois personagens jovens influenciados pelo peso do passado de seus pais.

Fonte: Warner Bros Pictures

O que nos leva a um ponto que mais me agradou na narrativa, a construção da figura de Viktor Dragon não apenas como uma máquina de luta feito para desafiar Adonis Creed, mas um personagem que enfrenta seus próprios demônios e precisa provar ao próprio pai que é capaz de ser um grande campeão. Em oposição a isto, temos referências ao passado em relação a morte de Apollo servem como um fantasma de uma tragédia anunciada que pode se repetir com este novo confronto e que pesam sobre Adonis, acentuado pela presença do mencionado Rocky e sua mãe, Mary Anne vivida pela sempre ótima Phylicia Rashad (Soul) retornando após o primeiro filme.

Esses dois arcos se intercalam numa narrativa que se desenvolve numa crescente e onde os dois lutadores vão sendo desenvolvidos até chegar no ápice da luta derradeira do filme. É claro que a trama carece de algo mais em alguns momentos, mas claramente Staple Jr sabe conduzir bem um filme que entrega aquilo que se pede sem exageros, conseguindo ser empolgante o suficiente para criar uma antecipação e âmbito para o expectador que espera um confronto cheio de energia amplificado por uma trilha sonora regada a muito pop e hip hop de primeira.

No geral, “Creed II” é um drama correto, com uma atuação consistente de Michael B. Jordan e Sylvester Stallone, consolidando personagens que funcionam muito bem juntos, temos ainda a adição do boxeador amador Florian Munteanu, que senão é um primor na atuação, ao menos tem uma presença intimidadora para fazer oposição a Jordan colocando seu personagem Adonis para enfrentar seu maior desafio até então. Um longa com um bom desenvolvimento, que ainda tem como cerne família como base do legado deste lutador que tenta a provar a si mesmo seu papel diante de um enorme desafio. Com uma boa direção, adrenalina na medida e ótimas sequências de lutas no ringue, esta obra não supera original, mas mantém a qualidade numa continuação que ainda bebe da nostalgia para empolgar e entretém apontando um caminho cada vez mais independente do legado de Rocky.

Leia sobre “Creed – Nascido para Lutar” clicando aqui.

Leia sobre “Creed III” clicando aqui.

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