Tudo pela família! Será mesmo? O longa que é continuação da série Sintonia traz de volta Christian Malheiros no papel de Nando, que precisa lidar com duas realidades diferentes que acabam resultando em bons dilemas morais para o personagem.

Deu saudade? Após o fim da quinta temporada de “Sintonia” em fevereiro de 2025, série brasileira produzida pela Netflix em parceria com Kondzilla retorna com uma nova produção, que contava a história de três jovens de periferia que lutam por uma vida melhor seguindo caminhos diferentes, mas sempre mantendo a amizade frente as adversidades no berço de uma das maiores comunidades de São Paulo, a favela de Paraisópolis.
A história de MC Doni (Jottapê), Rita (Bruna Mascarenhas) e Nando (Christian Malheiros) terminou com o trio em clima de esperança, com Doni e Rita com futuros direcionados e Nando exilado a caminho de rumo desconhecido ao fugir de navio após forjar a própria morte para proteger a família e os amigos de antigos inimigos.
Corta para 2026, no começo do ano fomos agraciados com o trailer do filme e no último dia 12 de agosto a narrativa “Nando Entre Dois Mundos: Um Filme Sintonia” estreou prometendo concluir a trama em aberto de Nando, agora no papel central da trama se passando cinco anos depois do fim da série trazendo dilemas do personagem que agora precisa lidar com a vida de poder no submundo do crime, enquanto tenta manter a relação com os filhos e esposa que não vê a quase dois anos.
O longa dirigido por Johnny Araújo (Sintonia) ganha contornos cinematográficos uma pompa típica de filmes da Netflix, com verniz mais polido, com locações europeias e brasileiras com tomadas que mostram que a narrativa evoluiu visualmente em relação a série. Encontramos Nando na Sérvia durante uma transação com traficantes sérvios na companhia do parceiro de negócios Moicano (Henrique Santana).

O interessante aqui é que “Nando Entre Dois Mundos” não esconde que Nando é um personagem perigoso, mas também não esconde sua aura bondosa, que se preocupa com a família e que mesmo de longe, sempre se informando sobre a vida da filha adolescente Bruna (Duda Pimenta), o pequeno Enzo e sua esposa Scheyla (Júlia Yamaguchi), que aparentemente sentem sua falta, mas claramente estão melhores sem ele.
O filme cria vários conflitos para os personagens envolvidos no entorno de Nando, mas o foco nele e sua família cria duas tramas que vão se entrelaçando justificando o título “Entre Dois Mundos” que o personagem se encontra. Se por um lado temos um thriller de ação criminal, com Nando obrigado a fugir depois de uma negócio mal sucedido, por outro temos as consequências de suas ações na Europa recaindo sobre sua família.
É claro que o longa não empolga tanto quando deveria, inclusive as sequências de ação e tensão, são o ponto baixo, no que deveria ser o chamariz da narrativa. Por outro lado, o ponto positivo do elo dramático de Nando com a família é o que mantém o expectador interessado, sem falar que reunião com MC Doni e Rita, apesar de breve, dá um ar de nostalgia de vermos os três amigos juntos mais uma vez.

Quando “Nando Entre Dois Mundos” tenta ser um thriller criminal, principalmente quando se passa em São Paulo no Brasil, falha porque não consegue manter a tensão muito tempo, sem falar que a trama adolescente óbvia com o conflito entre Nando e a filha, acaba caindo no clichê do gênero, ainda que seja uma dinâmica curiosa de assistir.
O filme não tem muitas reviravoltas, a não ser a que fecha o terceiro ato, os elos com “Sintonia” estão lá, mas vejo que a narrativa não abraça muito seu lado comunidade mostrando o lado do funk e rap tão presente na série, optando por trazer uma trilha mais gospel com Doni cantando na igreja, ao invés dos bailes funks. É uma mudança peculiar, não enfraquece, mas consequentemente faz falta, pois era um dos pontos altos da série, a música e o dia-a-dia da favela.
O fato é que este longa vale pelo fato de focarem no personagem mais popular de “Sintonia”. O ator Christian Malheiros continua seguro conseguindo segurar o filme sem problemas, com toda a história girando em torno dos seus atos gerando consequências interessantes para Nando e sua família, o final inclusive fica em aberto e abre boas discussões, principalmente sobre deixar a criminalidade e ainda assim ser assombrado pelo passado.

De uma forma geral, “Nando Entre Dois Mundos: Um Filme Sintonia” não é um grande filme, mas entretém. Para os fãs nostálgicos de “Sintonia”, deve satisfazer em parte e dá um desfecho melhor para um personagem que apesar dos defeitos, apesar de ter abraçado o crime, mostra que tem um coração que não quer essa vida para sempre, porém a última cena levanta o questionamento, vale colocar sua família em risco com tantos esqueletos no armário? Cabe aqui ao público decidir se Nando merece ou não redenção, e este talvez seja a melhor parte de assistir a esta produção.
Leia os textos da série abaixo:
Crítica da terceira temporada, leia agora aqui.
Crítica da quarta temporada, leia agora aqui.
Crítica da quinta temporada, leia agora aqui.
Gostou? Veja o trailer e comente abaixo sobre o que achou dessa nova produção do universo de Sintonia.

