“Gangs of London” – 3° Temporada – Crítica

Guerra aberta! A terceira temporada se livra de vários problemas, aumenta a contagem de mortos e feridos, mas infelizmente não consegue utilizar seu protagonista preto de forma satisfatória.

Spoilers Pesados Abaixo

Foto/Reprodução – Sky Digital

Em meados de 2020, a série criada por Gareth Evans (The Raid) e Matt Flannery (The Raid) surpreendeu o público quando surgiu como uma versão moderna de uma série de máfia que explorava o submundo de Londres governado por famílias influentes numa disputa de território pelo controle político e urbano do local sendo intitulada de “Game of Thrones” moderno pela pegada de ninguém estar a salvo nos conflitos de poder.

Corta para 2025, a série produzida pela Sky Digital Original e exibida na AMC nos EUA, “Gangs of London” (UK, 2020-Presente) estreou sua terceira temporada tentando dar um equilíbrio melhor para sua trama, depois de uma primeira temporada impecável e uma segunda temporada boa, mas que deixava a desejar ao colocar Elliot Carter (Sope Dirisu) na sua busca por vingança após o assassinato da mulher e do filho, se infiltrando na família Wallace, a gangue mais perigosa de Londres.

A segunda temporada tomou um caminho que particularmente não tinha gostado, que era ressuscitar Sean Wallace (Joe Cole) depois de mostrar que podia seguir caminho melhores sem a presença dele na série, porém terminou em alta após desenvolver melhor sua trama. A nova temporada começa algum tempo depois dos eventos do final da segunda, com uma nova hegemonia estabelecida entre os Wallace, Dumani, Afridi e Dushaj, que agora enfrentam o problema das drogas se espalhando pelas ruas da capital britânica.

O estopim da temporada acontece com a morte da filha mais velha de Luan Dushaj (Orli Shuka) por overdose no meio da sua festa de aniversário. Este gatilho coloca as gangues em alerta e Elliot em busca de resposta apontando para Sean como um dos possíveis responsáveis pela contaminação das drogas e a morte de centenas de pessoas pela cidade.

Foto/Reprodução – Sky Digital

A primeira metade da temporada começa até bem, todo mistério de alguém por trás manipulando todo esquema de droga rende, aparecendo inimigos inusitados como Lale (Narges Rashidi) parecendo ser uma das responsáveis. Sem falar que a sede de vingança de Luan, faz com o mesmo se una temporariamente a Elliot para caçar Sean que acaba virando o alvo central.

A família Wallace continua exercendo um certo protagonismo na série e isso tem sido constantemente ponto de debates dos fãs da série, porque na primeira temporada estava muito clara que Elliot era o protagonista e a queda da família estava parecendo inevitável, porém o roteiro da terceira temporada, assim como a segunda, parece não querer desvencilhar muito disso principalmente nos episódios 3×01 e 3×02.

As coisas começam a mudar quando as reviravoltas tomam conta da trama trazendo Marian Wallace (Michelle Fairley), Ed Dumani (Lucian Msamati), Asif Afridi (Asif Raza) e o abastado Billy Wallace (Brian Vernel) em rota de colisão se dividindo entre protetores e perseguidores de Sean Wallace numa caçada intensa que vai aumentando a cada episódio.

Desta vez ao menos temos um desfecho melhor com a entrada de um estranho chamado Zeek (Andrew Koji) que dá uma acelerada na trama ao trazer Sean a um desfecho trágico no episódio 3×04. A meu ver essa decisão finalmente colocar um ponto final na história do primogênito (assim ele pensava) dos Wallace, deveria ter acontecido na temporada passada, agora finalmente se tornou definitiva, mas ainda assim, a revelação do episódio 3×05, mostra que não estão preparados para deixar o legado o personagem acabar.

Foto/Reprodução – Sky Digital

O fato é que “Gangs of London” abdicou se ser um thriller de ação pomposo e imprevisível, passando a ser um thriller de ação com violência que as vezes não se justifica. Com a morte de Sean, o foco finalmente voltou para Elliot, que é o protagonista da história desde o início, mas parece os roteiristas sempre o colocam em situações extremas onde o personagem mais apanha do que bate.

A escalada que a série toma nos três episódios finais com ênfase no ótimo penúltimo episódio 3×07 que traz uma reviravolta final bastante sólida, vemos uma narrativa que se perdeu muito e tenta remendar as pontas soltas trazendo revelações que já deveriam estar claras a muito tempo, como o autor do assassinato da família de Elliot que é revelada no último episódio da temporada o 3×08.

Não é que o seriado tenha perdido totalmente o fio da meada, algumas sequências de ação são boas e mesmo com um imbróglio em certas tramas, alguns desfechos com morte de personagens principais importantes dá “um limpa” na série de uma forma que não esperava, deixando aquele gostinho de que dá para render mais.

Foto/Reprodução – Sky Digital

Por tudo que foi falado, “Gangs Of London” mesmo com todas suas ressalvas, ainda é um seriado que entretém mesmo que tenha perdido bastante do gás das primeiras temporadas. Ainda que o protagonismo preto exercido por Sope Dirisu (O que Ficou Para Trás) venha sendo apagado bastante ao longo do seriado, a reta final da temporada me deu esperança que isso pode mudar.

A série continua sendo um bom thriller de ação com uma pegada que ainda agrada por ter vários personagens cinzas capazes de ir ao extremo da violência para se vingar ou buscar uma justiça que só eles entendem. A temporada como um todo é apenas ok, mas termina com potencial de ser melhor. Com a quarta temporada confirmada para estrear em breve, esperamos que a série resgaste o melhor do seu primeiro ano numa trama mais redonda e melhor desenvolvida.

Leia o texto das temporadas anteriores abaixo:

Crítica da primeira temporada aqui.

Crítica da segunda temporada aqui.

Gostou? Veja o trailer e comente o que achou da temporada se já assistiu.

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