Sólido como uma rocha! A temporada final da família preta mais amada da Netflix fecha seu ciclo com uma temporada final que soube usar a narrativa para fechar lacunas e terminar bem seus arcos.

O melhor de uma série que chega na sua temporada final, é a oportunidade fechar um ciclo da forma mais coerente possível em respeito ao público fiel que sempre acompanhou o produto e também para deixar um legado para aqueles que um dia irão assistir. Este é o caso do sitcom da Netflix, “Família Upshaw” (The Upshaws, 2021-2026), que chegou a sua sétima e última temporada semanas atrás.
Muito foi questionado se a série iria conseguir fechar bem seus arcos deixados em aberto na sexta temporada, com a principal delas sendo o segredo de Regina Upshaw (Kim Fields) escondendo algo que poderia minar sua campanha para vereadora. A verdade é que já na premiere “The Black-Lash” (7×01), o problema é lidado de forma cômica ao descobrimos que a personagem fez “black face” durante a faculdade.
Este tema delicado, polêmico e palco de muitos repúdios da comunidade negra nos EUA ao longo de sua história, vira narrativa rápida tratada de forma bem humorada pela família de Regina, trazendo boas tiradas e dando pontapé numa temporada que é marcada pelas resoluções. Narrativamente talvez seja a trama mais consistente da matriarca Upshaw ao longo do seriado trazendo a disputa nas eleições, enquanto lidamos com algumas subtramas corriqueiras em aberto.
Os episódios “Save Face” (7×02) e “Gone Awry” (7×03) mostra uma dinâmica bacana entre Lucretia (Wandas Sykes) ajudando Regina, enquanto Benny (Mike Epps) e Tony (Michel Estime) continuam seus trambiques para tentar salvar a oficina após alguns entraves como falta de pagamento.

A verdade é que estamos a quatro anos assistindo “Família Ushaw”, e a dinâmica se repete sempre, mas nunca cansa, confusões em família aqui são diversas, mas os conflitos dramáticos dão um peso a mais na temporada, como o rompimento de Benny com filho Kelvin (Diamond Lyons) no episódio “Cold Shoulder” (7×05), ou Bernard (Jermelle Simon) tentando manter a academia no episódio “Indy Streets” (7×04), ou Aaliyah (Khali Spraggins) perto de se formar vivendo seus momentos, e até mesmo Maya (Journey Christine), cada vez mais crescida, mas não menos engraçada tendo seus momentos.
A série se mostrou bastante consistente nesta temporada, equilibrando bons dramas e comédia, sem perder a identidade, mas aproveitando não só a família protagonista, mas também os coadjuvantes como Tony, Frank (Lamont Thompson), Davis (Leonard Earl Howze) e Althea (Kym Whitley), esta última sempre muito engraçada com um timming de comédia muito bom.
É legal ver um sitcom protagonizado por uma família negra tão bem cuidado, como este criado por Regina Y. Hicks e Wanda Sykes, é uma série que trata temáticas importantes, fala sobre as dificuldades financeira de família negras de classe média baixa, mas sem perder o bom humor, levando o público a diversão pura durante trinta minutos.

A reta final de “Família Upshaw” tem tudo que fez a série boa de assistir e um pouco mais, as pontas soltas que mencionei no começo do texto, vão sendo desenvolvidas e moldadas ao longo dos últimos episódios de forma precisa numa sequência engraçadíssima com “Hole-y Hell” (7×06), “Great Points” (7×07) e “Worked Up” (7×08), sempre focado na campanha de Regina, ou na interação de Benny com os filhos (desta vez Aaliyah), além da interação sempre ótima entre ele e Lucretia.
O ponto de virada para encerrar as tramas da série, vem com “Election Day” (7×09), talvez o episódio mais importante para personagem Regina na série, uma mãe, trabalhadora, que sempre lutou pelos seus sonhos, enfrentando os maiores desafios, além de cuidar da família. Este episódio inclusive cria um bom suspense terminando com um gancho que é respondido só no episódio seguinte “I Swear” (7×10), que é nada mais do que satisfatório.
Um dos melhores episódios da temporada, “Help Less” (7×11) traz a narrativa no seu ponto decisivo. Benny tem uma visão interessante sobre o que poderia ser seu futuro, mas o que mais fica em destaque é Lucretia e Frank planejando viagem de cruzeiro, Aalyah tentando ir para França, Bernard acertando com Hector e tendo que ir para San Diego, Kelvin arranjando um emprego, ou seja, todos personagens com caminhos a seguir, além de Benny tomando uma importante decisão sobre o futuro da oficina que foi palco de problemas conjugais e muitas confusões.

A verdade é que no geral, “Família Upshaw” conseguiu fazer nossa alegria por quatro anos divida em sete partes com episódios em sua maioria divertidos. Ainda que a série tenha suas ressalvas, no geral foi um entretenimento maravilhoso, que soube trazer dramas relevantes sobre família, etnia e vida social periférica estadunidense sobre o olhar de uma família preta tentando superar os obstáculos do dia-a-dia.
O último episódio “Bom Voyage” (7×12) é daqueles finais lindos, emocionantes, que focam no simples, sem inventar muito, com todos os personagens direcionados e a mensagem que mesmo com tantos conflitos, são pessoas que se amam, dando o verdadeiro significado ao termo “família”, que por mais que não seja fácil lidar, no final se unem e se amam. A série termina com uma última cena maravilhosa, com a música de abertura e a certeza de que essa jornada, valeu muito a pena. Vai deixar saudades.
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