“Stranger Things” – 5° Temporada – Crítica

O épico nostálgico que precisávamos! Uma das maiores séries já produzidas pela Netflix encerra sua última temporada jogando no seguro, respeitando a construção de seus personagens e entregando um escopo nível blockbuster num desfecho justo.

Spoilers Grandiosos Abaixo

Foto / Reprodução – Netflix

Existe um patamar que um produto atinge que vai além do que qualquer produtor, ator, cineasta ou fã pode acreditar. Esse patamar se chama popularidade. Não há dúvidas que poucas séries e filmes conseguem esse “selo de qualidade” e para aquelas que atingem, resulta numa reação que é proporcional ao escopo que estas narrativas atingem, grandes expectativas.

Estas características vão de encontro exatamente com uma das séries mais bacanas e populares do momento, “Stranger Things” (Stranger Things, 2016-2025) super produção da Netflix, que chegou ao seu último ano cercado de expectativas e fazendo fãs do mundo todo teorizarem como a trajetória de Mike (Finn Wolfhard), Will (Noah Schnapp), Lucas (Caleb McLaughlin), Dustin (Gaten Matarazzo), Max (Sadie Sink) e Eleven (Millie Bobby Brown), iria terminar.

A quarta temporada nos deixou com um escopo épico com Hawkins enfraquecida partindo ao meio com a maldição do Vecna (Jamie Campbell Bower), com o futuro dos personagens incertos apontando uma batalha final que nos joga exatamente no contexto deste derradeiro último ano.

A Netflix soube conter o hype da série dividindo a série em três volumes ao invés de dois que ocorreram na quarta temporada, colocando o Volume 1 com quatro episódios para estrear no dia 25 de novembro (período de feriado de “Ação de Graças” nos EUA), com Volume 2 saindo no dia 25 de dezembro (pleno natal) com mais três episódios, terminando com Volume 3 que saiu ontem dia 31 de dezembro (no dia da Virada do Ano).

Esta foi uma estratégia boa, porém perigosa, afinal criou expectativas ainda maiores e uma repercussão estratosférica de uma série que demorou três anos para fechar seu ciclo iniciado em meados de 2016.

Volume 1

“O começo do fim e o surgimento de um herói improvável”
Foto / Reprodução – Netflix

O primeiro episódio da temporada “The Crawl” (5×01) começa em 1987, com aquela sensação de contenção, afinal após o final explosivo da temporada anterior, este novo ano prefere pisar no freio, com o grupo de amigos fazendo incursões ao mundo invertido para localizar Vecna e tentando seguir a vida, após os militares tomarem conta de Hawkins servindo como barreira contra as criaturas do mundo invertido.

Existe uma maturidade no ar que a série atingiu e não existe um retorno, as crianças não são mais crianças e isso fica muito claro na aparência dos atores, que mesmo no ensino médio, já aparentam ter mais idade. Enquanto Mike, Lucas, Dustin, Robin (Maya Hawke), Jonathan (Charlie Heaten), Will, Nancy (Natalia Dyer) e Steve (Joe Keery), tentando passar um ar de normalidade enquanto esperam o momento de atacar, por outro lado Eleven continua seu treinamento guiado por Hopper (David Harbour) e Joyce (Winona Ryder).  

O primeiro episódio funciona muito como calmaria antes da tempestade e termina com um gancho explosivo. Inclusive este Volume é uma escalada bastante coerente do que a série sempre entregou e o nível de ameaça que paira no ar é sentido aos poucos, preparando o expectador para algo maior.

Foto / Reprodução – Netflix

O episódio “The Vanishing of Holly Wheeler” (5×02) é um dos maiores exemplos como “Stranger Things” sabe mexer com as novas emoções e sabe nos conectar com personagens ao misturar bem fantasia e ficção cientifica. O ataque a casa dos Wheeler com o rapto de Holly (Nell Fisher) é uma das sequências mais tensas e bacanas que a série já fez, dando ignição para uma temporada que não para.

Ainda que o episódio “The Turnbow Trap” (5×03) dirigido por Frank Darabont (The Walking Dead) seja menos intenso, é bom o suficiente para mostrar bem a dinâmica dos personagens e a forma como o seriado ainda consegue ligar pontos importantes com as temporadas anteriores, principalmente a primeira e segunda temporadas, colocando Will como foco deste começo revisitando traumas com o Mundo Invertido.

Muito se fala em coerência, mas a série começa a trazer elementos conhecidos para introduzir novos mecanismos para narrativa funcionar melhor. E é ai que o Volume 1 termina de uma forma épica num dos melhores episódios da série “The Sorcerer” (5×04), cheio de ação, tensão, ataques em profusão e com uma reviravolta impressionante que remete a capacidade de “Stranger Things” de surpreender no confronto em Will e Vecna.

Volume 2

“Respostas, resoluções e nostalgia em um futuro incerto”
Foto / Reprodução – Netflix

Se o Volume anterior começou com pé na porta, o Volume 2 manteve a coerência e trouxe o que mais precisávamos, respostas, porém evidenciou também algumas coisas que não funcionaram. O episódio “Shock Jock” (5×05) é a sequência impecável de uma série que sabe trabalhar com lado blockbuster que sempre entregou, senso de urgência e capacidade de empolgar depois de momentos épicos.

Talvez este seja um dos episódios mais estruturados da temporada, pois além de tensão, suspense e perigo, também começa a mostrar a origem do Mundo Invertido, os segredos da parede encontrada no início da temporada e onde tudo se encaixa quando olhamos para Vecna e seu plano. Ainda assim, a série começa a mostrar que os desgastes estão cada vez mais na superfície enfraquecendo alguns núcleos.

Enquanto toda a subtrama envolvendo Will e seus amigos se torna a parte mais interessante da temporada, o foco também nas crianças que Vecna precisa também rendeu bem, porém as subtramas com as dinâmicas de alguns personagens não funcionam tão bem quanto nas temporadas anteriores. Dustin e Steve que sempre teve uma boa dinâmica, ficou cansativa, o triângulo amoroso Nancy, Jonathan e Steve já tinha dados sinais que não estava sendo legal a muito tempo e a trama de Eleven, com o retorno de Kali (Linnea Berthelsen) reviveu uma narrativa que na prática nunca funcionou na série.

Foto / Reprodução – Netflix

Outro ponto que é praticamente unanimidade entre fãs e críticos é a questão dos militares liderados pela casca grossa Doutura Kay (Linda Hamilton), é um dos pontos mais fracos da temporada e ainda não entendemos porque não tiraram logo da narrativa, pois mais atrapalhou no todo do que ajudou. No Volume 1 fez algum sentido, mas no Volume 2 poderiam ter finalizado esse arco e deixado morrer sem problemas.

Um formato que “Stranger Things” usou neste quinto ano que realmente funcionou, foi utilizar ganchos e inícios de episódios para trazer momentos de puro êxtase. A transição do final do episódio 5 com épico episódio “Escape From Camazotz” (5×06) é daquelas sequências marcantes que serão sempre lembradas pelos fãs. Mecanismo este já utilizado entre os episódios 1 e 2 do Volume 1.

Esta necessidade de trazer emoção é exatamente o que faz deste volume o mais emocional, ao trazer o desfecho da narrativa de Holly e Max presa na mente de Vecna da forma mais sensacional possível, inclusive o reencontro Lucas e Max é melhor do que você pode imaginar. É desta forma que a série criada pelos Irmãos Duffer sabe trabalhar com emoções e por isso a série não desmorona diante das suas próprias pretensões, pois sabe trabalhar bem os momentos menores com seus personagens.

E neste ponto que o episódio “The Bridge” (5×07) se torna um dos mais interessantes, pois coloca os personagens reunidos no centro da trama, expõe todo o plano para derrubar Vecna (as vezes didático até demais) preparando para desfecho da série. A sequência que o Will resolve se abrir para seus amigos e assumir como gay é um dos momentos mais lindos da série e poderosamente bem trabalho não só pelo bom trabalho de Noah Schnapp, mas pela forma como reforça o senso de família e vínculo criado pela série, fechando bem o Volume 2.

Volume 3 e Veredito

“Épico em escopo, emocionante nos momentos certos, marcante no seu desfecho”
Foto / Reprodução – Netflix

Por tudo que foi comentado e pontuado, a pressão para entregar um final coerente e satisfatório era o que épico final de série “The Rightside Up” (5×08) prometia. A verdade é que para uma série com a popularidade de “Stranger Things”, unanimidade seria algo difícil de atingir, mas confiar nos Irmãos Duffer fechariam os arcos de seus personagens de forma emocionante e coerente, foi exatamente o que a narrativa construiu.

 Existe sim algumas pontas soltas, existe sim algumas falhas que devem ser pontuadas sim (os militares citados é um bom exemplo), porém quando olhamos a temporada como um todo, tivemos grandes momentos que sobressaem as falhas, a sequência do ataque na casa dos Wheelers, a sequência do hospital com ataque dos cães demogorgons (Karen Wheeler você sempre será famosa), a sequência de diálogo de motivação entre Max e Holly, a sequência do Will já mencionada, o término de namoro entre Jonathan e Nancy, o emocionante momento entre Dustin e Steve, para pontuar algumas cenas.

São muitos momentos legais que realmente traz entretenimento e que mostram que a série sempre teve fôlego para atiçar nossa imaginação e alimentar nossas teorias. Essa mistura de nostalgia oitentista, ambientação salpicada com músicas (trilha sonora impecável), misturando ficção científica, fantasia e RPG, foi coerente o suficiente para sustentar 10 anos de paixão por um produto que sempre soube como agradar seu público.

Foto / Reprodução – Netflix

E desta forma que o último episódio é urgente o suficiente para entregar momentos épicos nível blockbuster, que pode sim desagradar alguns preferem um escopo menor, mas “Stranger Things” mostrou desde a temporada anterior que seu escopo estava num nível de expectativa que seu público pedia e desta vez tivemos um desfecho nada além do que espetacular, cheio de ação, efeitos visuais bacanas e cartase.

A sequência da revelação entre a conexão Vecna e Devorador de Mente é daquelas cenas que devem deixar o fã mais cético vibrar feito criança, é exagerado, é bacana e traz a sensação de matinê com pipoca que sempre buscamos quando vamos no cinema, desta vez recebemos em casa.

Porém o que faz este último episódio maravilhoso, além dos diálogos carregados de emoção, é o epílogo de mais de trinta minutos mostrando o desfecho dos personagens, passando pelo discurso de Dustin na formatura do ensino médio, a declaração de Hopper para Joyce, terminando com uma cena de D&D formando um ciclo completo, daquelas sequências de deixar os olhos marejados no melhor estilo novelão, ainda mais apontando o final ambíguo do desfecho de um dos protagonistas da série.

Foto / Reprodução – Netflix

No final, gostando ou não da quinta temporada, ou do até mesmo do final, uma coisa ficou certa, “Stranger Things” conseguiu de forma especial marcar uma geração e deixar seu impacto na cultura pop. As aventuras de Eleven, Will, Max, Mike, Lucas e Dustin, sem falar nos ótimos coadjuvantes como Erica, Derek, Holly, dentre outros que deixaram sua marca, é algo que vai ser difícil de esquecer, foi especial, foi bonito, foi simplesmente inesquecível. Um futuro sem Hawkins parece estranho, mas com certeza a jornada valeu a pena.

Leia a crítica da quarta temporada aqui.

Feliz Ano Novo HNers, desejo paz, prosperidade e um grande ano a todos, obrigado pelos acessos e continuem com novo em 2026.

Elo Preto

Personagem: Erica Sinclair
Ator: Priah Ferguson
Idade: 19 anos

O destaque da Coluna Elo Preto é a nossa amada Erica Sinclair, que desde que apareceu na série na segunda temporada, sempre foi umas das coadjuvantes mais legais da série ao longo dos anos. Nerd, boca aberta e extremamente inteligente, a personagem protagonizou momentos maravilhosos e engraçados, gerando memes instantâneos. Nesta última temporada Erica teve seu momento no terceiro episódio, mas depois ficou relegado a algumas aparições, mas ainda assim deixou sua marca. A atriz Priah Ferguson é um talento nato e provavelmente vai se destacar em outros produtos se mantiver o carisma. Dublou a pequena Tess na animação “O Meu é um Caçador de Recompensas!” e atuou no filme “A Maldição de Bridge Hollow” com Marlon Wayans, ambos produtos da Netflix. Ela será vista em breve no filme “Samo Lives” dirigido por Julius Onah ao lado de Jeffery Wright. 

Gostou? Veja o trailer da quinta temporada. Se já assistiu, diga o que achou nos comentários.

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