O mistério potencializa a narrativa. A segunda temporada da série protagonizada por Sterling K. Brown oscila no seu início, mas ganha camadas na reta final se tornando uma das séries mais intrigantes da atualidade.

Quando a série “Paradise” (2025-Presente) estreou em janeiro do ano passado, gerou uma ótima repercussão e uma grata surpresa ao misturar drama e ficção científica da boa com atuações consistentes de Sterling K. Brown (Atlas), Julianne Nicholson (Mare of Easttown) e James Mardsen (Mike & Nick & Nick & Alice), este trio inclusive indicado ao Emmy deste ano mostrando a força da série produzida pela Hulu e transmitida no Disney Plus.
A primeira temporada terminou num lugar intrigante, com Xavier Collins (Brown) encontrando uma saída do domo e a esperança de encontrar a esposa que descobriu estar viva. Um pouco antes disso tivemos a fria agente Jane (Nicole Brydon Bloom) atirando a queima a roupa na vilanesca Sinatra (Juliane Nicholson), deixando outro gancho forte para o próximo ano.
Eis que em fevereiro deste ano a segunda temporada de “Paradise” estreou se apoiando ainda mais no mistério e na expansão de um universo que cada vez se torna maior, além da verdade estabelecida pela comunidade enclausurada após o suposto fim do mundo.
Talvez o seriado criado por Dan Folgeman (This is Us) esteja num momento de transição para algo realmente maior e isto fica claro no primeiro episódio “Graceland” (2×01), com a introdução de uma nova personagem, Annie (Shailene Woodley), uma guia turística que se vê no meio do fim do mundo e um encontro inusitado com um grupo de sobreviventes liderado pelo jovem Link (Thomas Doherty).

Este episódio é fora da curva de um seriado que só funciona, porque coloca o desenvolvimento dos personagens em primeiro lugar e o mistério em segundo. Quando as duas pontas narrativas se juntam, a série ganha camadas complexas que puxam o expectador a embarcar numa jornada cheia de perguntas intrigantes, reviravoltas e um potencial que vai crescendo ao longo do segundo ano.
Quando a série se dissolve em linhas narrativas, uma seguindo Annie, outra Xavier e uma terceira ainda no domo escondido, o texto ganha em agilidade com “Mayday” (2×02) trazendo Xavier na busca pela esposa Teri e “Another Day in Paradise” (2×03) com um plot de conspiração que emerge numa sociedade que preste a sucumbir após as revelações da temporada anterior.
A verdade é que “Paradise” sabe atiçar nossa curiosidade e nos faz envolver a tal ponto que quando Xavier encontra Annie, numa das dinâmicas mais bacanas da temporada, estamos completamente entregues principalmente por conta da condição da personagem. Este episódio “A Holy Charge” (2×04), talvez o melhor da temporada e um dos melhores da série, tem uma carga dramática tão grande resultando numa tragédia impactante, que é impossível não se emocionar ao fim do capítulo.
É neste ponto que entendemos que o seriado não subestima a inteligência do seu público, mas estimula a buscar respostas numa trama que funciona como um quebra cabeça montado de forma milimétrica e precisa, onde cada personagem inserido, cada gancho pensado, resulta num crescimento narrativo impecável.

Episódios como “The Mailman” (2×05) e “Jane” (2×06) são puro estudo de personagens focados em indivíduos com índoles duvidáveis, mas que se adaptam facilmente a este mundo distópico de forma diferente somando-se a trama como o obcecado Gary (Cameron Britton) e a perigosa Jane, que são propulsores que ajudam a trama a crescer ainda mais em suspense e tensão.
É desta forma que “Paradise” se torna uma série diferenciada, que sabe trazer o elemento humano de forma questionadora fazendo os personagens transitarem em zonas cinzas e nunca sucumbirem a papéis unidimensionais que acabam sendo efeitos colaterais do gênero. Aqui a série mistura bem drama, política, ficção científica e ação da boa costurando o texto de uma forma primorosa.
Com isto, a reta final da temporada é simplesmente um deleite, pois não só fecha a trama principal de uma forma satisfatória, como ao mesmo tempo abre um leque de possibilidades que tornam “The Final Countdown” (2×07) uma aula narrativa com tensão escalada e ganchos precisos, com uma trama que eclode em revelações bombásticas que a muito não se testemunhava em um seriado deste tipo.

É a necessidade de impressionar sem ter essa intenção que torna “Paradise” um seriado espetacular, daqueles que sabem dosar até entregar tudo aquilo que se espera. As respostas ficam no ar, mas ganham proporções maiores principalmente quando se tem atores como Sterling K. Brown e Juliette Nicholson entregando atuações excelentes e emocionantes na medida, sem falar na atuação maravilhosa e breve de Shailene Woodley.
A produção caprichada, a trilha sonora e os efeitos decentes, tornam tudo ainda melhor, fazendo deste seriado um dos mais imperdíveis da atualidade, com uma segunda temporada que é tão boa quanto a primeira tendo poucos momentos irregulares e com uma certeza de que vai entregar revelações bombásticas.
O fato é que “Paradise” evoluiu de uma forma consistente de um thriller pós apocalíptico conspiratório, para um sci-fi flerta com multiverso e outras saídas cientificas que ainda estão por se revelar. O último episódio “Exodus” (2×08) é uma aula de como encerrar uma temporada, com tragédia, reviravolta, morte e a certeza de que a revelação sobre Alex (???) é apenas a ponta do iceberg. Que venha a temporada final. Os fãs do entretenimento de qualidade agradecem.
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