“Cowboy Bebop” – 1° Temporada – Crítica

Não é o que se espera inicialmente, porém esta adaptação de um dos animes mais populares dos últimos anos entrega um mundo muito rico, cheio de personalidade e um trio protagonista excelente numa trama espacial bastante divertida.

Esse texto possui spoilers leves.

Fonte: Netflix

Produções que são adaptadas de algum material base sempre serão foco de discussões acaloradas e divisão daqueles fãs mais fervorosos, diferente daqueles que são atraídos pelo marketing e pela curiosidade do surgimento de uma versão em “live action” (que seria aqui uma versão em carne e osso), criando assim opiniões divididas que acabam determinando seu sucesso ou seu fracasso, mas a verdade é que nunca teremos pessoas completamente satisfeitas com esses tipos de adaptações, seja de livro, desenho ou games.

Digo isso, pois estreou na Netflix mais uma adaptação de uma obra de anime a muito tempo esperada pelos fãs. A série “Cowboy Bebop” criada para tela por André Nemec (Tartarugas Ninjas: Fora das Sombras) e escrita por Christopher L. Yost (Thor: Ragnarok), é uma adaptação da obra japonesa de Shinichiro Watanabe que conta a história de Spike (John Cho), um caçador de recompensas que junto com seu parceiro Jet (Mustafa Shakir) cruzam o universo em diversas aventuras perseguindo criminosos num futuro não muito distante se passando no ano 2071.

A versão em anime tem 26 episódios que traz uma aventura espacial divertida cheia de personalidade, personagens excêntricos, naves espaciais com designs estranhos e muito humor canastrão que conquistou milhares de fãs mundo a fora. Esta versão estrelada por John Cho (Star Trek) chega com 10 episódios em sua primeira temporada e a vontade de entregar uma adaptação digna para um gênero que sempre teve dificuldade de fazer uma transição satisfatória entre anime e versão dos mesmos personagens em carne e osso.

Fonte: Netflix

Após conferir os episódios, posso dizer que “Cowboy Bebop” é uma adaptação boa que no geral, consegue ser uma aventura boa de assistir, mas que requer comprometimento e mente aberta até que ela acerte seu tom nos agraciando com episódios no mínimo curiosos, boas reviravoltas e um universo bem construído e bons personagens.

A trama consegue atrair nossa atenção já no piloto “Cowboy Gospel” (1×01), onde podemos sentir como vai ser o tom da série e como os roteiristas irão entregar em termos de ritmo, apresentação de personagens e história. Acredito que o roteiro de Christopher L. Yost é feliz por acertar na introdução de Spike e Jet para o público ao coloca-los numa missão de capturar um criminoso e assim receber a recompensa pela sua cabeça. Talvez a narrativa cause um pouco de estranheza inicialmente, mas acredito que o primeiro episódio é suficientemente interessante para prender nossa atenção, ainda que falte um pouco de dinamismo para a história andar.

Se inicialmente a série peca por não conseguir trazer uma certa urgência ou um ritmo mais fluído, isso vai sendo resolvido nos dois episódios seguintes “Venus Pop” (1×02) e “Dog Star Swing” (1×03), onde a história consolida seu formato com uma fotografia muito bonita e colorida que vai mudando a cada novo planeta ou ambiente apresentado. A trilha sonora é um dos pontos altos, bem ritmada, ajuda dar moldar a atmosfera com um clima meio noir que funciona como uma mistura de “Sin City” do Robert Rodriguez e “Pulp Fiction” do Quentin Tarantino, numa trama que sabe não se levar tão a sério.

Fonte: Netflix

Seguindo essa linha, podemos destacar que os protagonistas são um dos pontos altos de “Cowboy Bebop”, a escolha de trazer John Cho, Mustafa Shakir (Marvel’s Luke Cage) e Daniela Pineda (Jurassic World: Reino Ameaçado) para serem respectivamente Spike, Jet e Faye Valentine, foi um trunfo que nos ajuda a gostar ainda mais da série, porque os três funcionam muito em tela, com personalidades muito bem definidas e um entrosamento que só fica melhor a cada episódio, sem falar que a medida que a temporada vai passando, vão ganhando mais espaço e mais desenvolvimento.

A personagem Faye inclusive é foco no quarto episódio “Callisto Soul” (1×04) onde a série começa a entregar uma dinâmica mais bacana de acompanhar entregando mais cenas espaciais e melhorando um pouco nas lutas, que no começo soavam muito coreografadas e difíceis de levar a sério, chegando a flertar com o estilo de luta pastelão saída dos anos 70, não chega a ser ruim dependendo da intenção de seus criadores, mas ainda assim são muito aquém para uma série que prometia uma aventura espacial cheia de ação e adrenalina.

O seriado segue uma crescente muito boa na sua primeira metade, mas é na segunda metade que sentimos que a série encontra o tom certo entre o humor canastrão, aventura espacial estilizada e ação no estilo faroeste como fica claro nos episódios “Darkside Tango” (1×05) e no ótimo “Binary Two-Step” (1×06), este último mostra Spike preso num simulador enquanto Jet e Faye precisam correr contra o tempo para salvá-lo, resultando numa sequência de ação muito boa mostrando que a série tem um orçamento bom suficiente para entregar efeitos visuais bem decentes.

Fonte: Netflix

O design de produção é um dos chamarizes da série, se a trilha sonora empolga, a ambientação futurista é outra parte que chama atenção, seja nos grandes cenários, seja no interior da nave Bebop, seja no design das naves espaciais que aparecem constantemente na trama, a riqueza de detalhes impressiona. Como nem tudo são flores, à medida que vamos adentrando a temporada a história principal focada em Spike e no vilão Vicious (Alex Hassell) tendo Julia (Elena Santine) como o ponto de conflito entre dois personagens, começa a mostrar que nem todas as escolhas feitas para o elenco foram acertadas.

Infelizmente o arco que corre em paralelo com Vicious não funciona tão bem, exigindo paciência do expectador à medida que vamos descobrindo o plano dele para derrubar o Sindicato, organização que controla o submundo do crime no sistema solar. Talvez pela falta de carisma e presença do ator Alex Hassell (Suburbicon: Bem-Vindos ao Paraíso) em cena, fica difícil comprar que o cara é um vilão ameaçador, frio e calculista, no final das contas, seu personagem tem uma caracterização ruim e soa apenas como um antagonista genérico e esquecível.

Outro ponto negativo é Elena Santine (Agents Of SHIELD) no papel de Julia, interesse romântico de Spike, a personagem é muito apática e falta personalidade, algo que sobra para o trio protagonista e ela não consegue mostrar em cena, mesmo a atriz tendo uma bela voz e uma aparência estonteante, diga-se de passagem. Ainda assim, a série conta com outros bons personagens coadjuvantes, uma profusão de easter eggs e um doguinho para compensar esses pontos baixos.

Os episódios “Galileo Hustle” (1×07) e “Sad Clown A-Go-Go” (1×08) demonstram que “Cowboy Bebop” é uma série que sabe controlar as próprias pretensões e apesar de ter uma vibe de aventuras episódicas com começo, meio e fim, ainda consegue trazer boas reviravoltas quando precisa potencializar sua reta final, o episódio 8 inclusive tem ótimas cenas de ação, um vilão maluco e um gancho empolgante trazendo uma participação especial de um ator conhecido que vai deixar muito seriador das antigas feliz.

Fonte: Netflix

No geral, “Cowboy Bebop” é sim uma boa adaptação, longe de ser perfeita, vai ganhando nosso coração aos poucos entregando uma aventura espacial visualmente agradável aos olhos, com um trio principal excelente, sério, John Cho manda muito bem no papel de Spike, isso fico muito claro no episódio focado na sua origem em “Blue Crow Waltz” (1×09), sem falar que Daniela Pineda e Mustafa Shakir estão ótimos também, ela traz uma personagem carismática e atrevida, ele um personagem durão, mas com coração.

A série é também bastante estilizada, tem uma trilha sonora marcante (não consegui pular a ótima abertura), cenas de ação que vão melhorando a cada episódio, vale ressaltar que apesar da série conseguir amenizar bastante, o nível de violência é alto, e isso vai ficando mais intenso a medida que vamos chegando perto do confronto final entre Spike e Vicious no último episódio da temporada “Supernova Symphony” (1×10) que traz uma trama cheia de resoluções, conflitos, surpresas e ganchos para uma possível segunda temporada.

Somando tudo isso num pacote só, podemos dizer que “Cowboy Bebop” é uma adaptação que entretém e vale o tempo investido se você gosta de uma série que vai se acertando aos poucos e que tem um foco primariamente no desenvolvimento de seus personagens e ainda entrega uma sci-fi espacial com clima de faroeste futurista cheia de efeitos visuais e muito potencial para se tornar um bom exemplar dentro do gênero.

Elo Preto

Personagem: Jet
Ator: Mustafa Shakir
Idade: 45 anos

O destaque da coluna hoje é Mustafa Shakir, o ator norte americano nascido na Carolina do Norte, chega causando boa impressão com seu personagem Jet Black, um caçador de recompensa que encontra em Spike, uma amizade e cumplicidade nas missões de capturar vários criminosos pela galáxia, o ator entrega um personagem que tem bastante presença física, carisma e um coração enorme, além de ser um paizão, mesmo tendo um semblante sério. Shakir é um ótimo ator, foi destaque como vilão da segunda temporada de “Luke Cage” da Marvel e Netflix, além de estrelar o drama “Confronto No Pavilhão 99” e a série “The Deuce”, porém em “Cowboy Bebop” parece ter encontrado o holofote merecido, ele será visto em breve em “Soul Assassin” com Bruce Willis, além do drama dirigido por Antoine Fuqua, “Emancipation”.  

Gostou? Veja o trailer abaixo e se já assistiu a série, dê sua opinião nos comentários.

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