Caos urbano! O filme derivado da série “A Irmandade” traz um thriller de ação policial protagonizado por Naruna Costa que transita entre o bem e o mal para avaliar ações humanas em meio a situações extremas.

A série “Irmandade” (2019-2022, Brasil) protagonizada por Naruna Costa (Beleza Fatal) e Seu Jorge (Cidade de Deus), estreou na Netflix de forma discreta e se tornou um sucesso razoável em pouco tempo durante suas duas únicas temporadas. Criada por Pedro Morelli (DNA do Crime) e produzida pela locadora vermelha em parceria com a O2 Filmes, a série surgiu como uma narrativa que focava nos dilemas morais de uma advogada (Costa) e na ascensão ao poder de seu irmão (Jorge) que era líder de uma facção criminosa.
Quando o seriado chegou ao fim, surgiu rumores de que um filme seria lançado para concluir a história, já que a temporada havia terminado em aberto. Neste contexto, estreou no dia 11 de fevereiro, “Salve Geral: Irmandade”, um filme derivado da série que continuava os eventos após a morte de Edson (Seu Jorge), com Christina (Naruna Costa), agora advogada a serviço da facção, tendo que lidar com a sobrinha sendo sequestrada enquanto o caos se instala em São Paulo devido as ações da Irmandade.
O longa dirigido por Pedro Morelli traz ação desenfreada e funciona bem cinematograficamente pela urgência já nos primeiros minutos que são de tirar o fôlego com um ataque massivo a uma delegacia por um grupo fortemente armado em um contexto que se passa pelo ponto de vista de uma policial grávida, antes de voltar no tempo para mostrar como toda essa guerra começou.

Veja bem, o filme ganha pontos por já estabelecer para o público o quão perigoso a narrativa se faz parecer quando a violência urbana, o policiamento e as políticas de segurança falham para conter bandidos muito bem articulados com células que estão infiltradas em todas as camadas da estrutura pública e política do estado.
A história centra em Christina, mas aos poucos vai caminhando para trazer a filha de Edson, Elisa (Camilla Damião) para o centro da trama. O mais interessante aqui, mesmo aqueles que não viram a série, o filme contextualiza bem os personagens, inclusive trazendo a herança deixada por Edson como chefe da Irmandade, com o lema “O certo é o certo”, seguido com rigidez pelo bando liderado agora por Ivan (Lee Taylor), que está preste a ser transferido para uma cadeia de segurança máxima.
A trama eclode mesmo tornando “Salve Geral: Irmandade” um thriller criminal urbano interessante, quando Elisa é sequestrada por policiais comuns, ao mesmo tempo que Ivan dá o tal “Salve” para os membros colocarem São Paulo em alerta máxima com ataques violentos de bandidos pelas ruas causando pânico na grande metrópole brasileira.
É incrível como mesmo em um contexto que poderíamos dizer ser exagerados, o roteiro de Júlia Furrer e do próprio Morelli, trabalham para mostrar que nenhum personagem é 100% mocinho e nenhum é 100% bandido, transitando numa linha cinza que questiona moralidade das ações policiais, de pessoas comuns em um contexto extremo de sobrevivência numa cidade incapaz de conter a onda de violência que se estabeleceu.

Olhando para o nosso panorama atual onde a segurança pública é um tema constante no Brasil, “Salve Geral: Irmandade” acerta em colocar seus protagonistas em situações que os induzem a fazer coisa inimagináveis, nos levando ao chocante terceiro ato com uma cena final que deve ficar na mente de muita gente após os créditos subirem.
É claro que como todo filme do gênero, o longa acaba por deixar brechas para mais desenvolvimento e aumenta algo que na vida real seria completamente diferente de se lidar. Em termos de produção, tudo muito bem feitinho principalmente porque a direção em sequências aceleradas empolga e a ambientação em São Paulo dá um escopo ainda maior as cenas filmadas, principalmente algumas em falso plano sequência que te colocam dentro da ação.
O elenco é sólido, principalmente Naruna Costa e Seu Jorge protagonizando, a primeira bastante segura como uma protagonista forte, com índole duvidosa, mas que está disposta a tudo para salvar a sobrinha sequestrada. O segundo aparece brevemente em um flashback, mas sua presença, mesmo não física é sentida por toda a estrutura da história através do legado deixado.

Outros destaques vão para Lee Taylor e a sempre ótima Marcélia Cartaxo, bem como Camilla Damião como a sobrinha de Christina, que as vezes demonstra certa fragilidade no tom em cena, mas que no decorrer do filme surpreende positivamente pela evolução.
Em tempos de bons personagens, ter uma protagonista preta como Christina liderando o filme, mostra que o cinema brasileiro consegue entregar boas produções quando aposta em atores seguros que conseguem segurar a atenção do público até o fim.
De uma forma geral, “Salvo Geral: Irmandade” é um longa que fecha um contexto para a série “Irmandade”, mas abre outro com possibilidades de outros filmes dessa franquia brasileira da Netflix. Com boas sequências de ação, temática que rende e personagens interessantes, além de um final bastante melancólico, para não dizer trágico, temos um exemplar nacional que vale a investida e a garantia de um bom entretenimento dramático.
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