Futuro promissor! A coluna “Um Olhar Preto” fala sobre a pré-produção do longa “Ventre Aberto” e sobre o potencial brasileiro para escrever histórias pretas de qualidade que possam surpreender nos próximos anos.
Quando este que vos escreve concebeu o blog Hype Negro lá em meados de 2021, a ideia era não só escrever resenhas e críticas promovendo conteúdo preto de qualidade entre todas as mídias, era também usar como plataforma o blog como forma de divulgação. Exaltar a cultura preta é algo que gosto muito e algo que me empolga a continuar escrevendo no HN.
É por este motivo que falar do longa-metragem “Ventre Aberto” que entrou ontem em pré-produção, é tão significativo, pois traz exatamente o que precisamos em termos de produções pretas que transitam entre gêneros. O longa que será dirigido por Gabriel Vinícius e é uma história que mistura drama e horror psicológico ambientado nos últimos anos da escravidão no Brasil.
Só pela breve sinopse, podemos percebe o potencial da trama que se passa em um período delicado da nossa história e pouco retratado em tela. A história é centrada em uma briga entre herdeiros brancos num sistema escravista onde pessoas pretas são submetidas as piores barbáries possíveis. Vinícius descreve a narrativa como uma história de “herança, silêncio e culpa, mas também sobre ruptura”.
Falar sobre histórias pretas no período da escravidão é sempre algo delicado, mexe com feridas abertas da nossa identidade histórica, mas deveria ser algo mais comum, pois a história precisa ser lembrada para não ser repetida. Filmes como o recente “Malês”, e agora a futura produção “Ventre Aberto”, são aberturas para termos histórias afrocentradas que não só sirvam como testemunha das histórias pretas, mas também como meio de provocar através da sétima arte.
Os elementos por trás da produção como o cineasta amigo de longa data de Vinicius que coescreve o roteiro, Lucas Maia (dono do canal Refúgio Cult, um dos maiores expoentes do cinema de gênero no Brasil), ajudam a aprofundar numa pesquisa importante no final do período da escravidão buscando trabalhar a temática de forma não convencional trazendo algo mais psicológico e entregando uma experiência sensorial.
Em um momento que o cinema brasileiro está aquecido após a vitória de “Ainda Estou Aqui” e com as indicações históricas de “O Agente Secreto” no Oscars, fica claro que a sétima arte nacional dará grandes frutos e o cinema preto faz parte dessa história onde já havia mostrado seu potencial com premiados longas como “Marte Um” e “Cabeça de Nêgo”, então o surgimento de produções como “Ventre Aberto”, soa como um bem vindo próximo passo.
Nos bastidores o elenco começa a se formar misturando atores e atrizes que transitam entre cinema, teatro e televisão, podemos citar Daniel Tonsig, Yasmin Gomlevsky, Mariana Faloppa, Daniel Pereira, Anna Zanetti e Giovana Telles, como alguns nomes conhecidos. Segundo o cineasta Gabriel Vinícius a prioridade é que as escolhas dos atores reflitam a densidade psicológica da trama, bem como a moral dos personagens.
O diretor ainda enfatiza sobre o elenco de “Ventre Aberto”, que ainda está fechando seu elenco preto, que promete nomes que façam jus ao projeto e devem ser anunciados na segunda etapa do projeto daqui alguns meses. Tudo aqui converge para um trabalho que promete não só pelo potencial narrativo, mas pela vontade de entregar algo único não só em termos de cinema preto, mas cinema brasileiro de qualidade.
O projeto entra em pré-produção agora, com anúncio público já realizado tendo como próximos passos um aprofundamento de pesquisa histórica, desenvolvimento final de roteiro, definição de locações e estruturação de financiamento. A ideia é que o filme se consolide e tenha forte impacto artístico, cultural e político, tendo uma circulação em festivais nacionais e internacionais sempre dialogando com público e trazendo bons debates sobre assunto.
O mais legal aqui é mostrar que o cinema brasileiro, o cinema preto, tem potencial para ser grande, não só focando em drama, violência urbana, mas tramas que vão para terror, suspense e drama psicológico, trazendo diversidade cultural e de gênero, mostrando que nossos cineastas estão atentos ao cenário nacional e internacional usando sua veia criativa para surpreender.
Por tudo que foi comentado e do breve depoimento sobre a divulgação que peguei de Gabriel Vinícius, que está bastante empolgado com projeto, inclusive enfatizando o interesse de produtoras e parceiros no projeto, vemos em “Ventre Aberto”, um filme preto com cara de Brasil que pode surpreender positivamente nos próximos anos. Ano passado “Pecadores” causou um impacto cultural grande lá fora para o cinema preto global, e saber que temos ideias criativas aqui no Brasil com mesmo potencial de impacto, só mostra que temos um futuro brilhante para cineastas pretos brasileiros.
E com exclusividade, abaixo o poster oficial do filme.

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