“Atlas” – Crítica

Basicamente um vídeo game. Protagonizado por Jennifer Lopez, este longa acelerado que mistura ação e sci-fi é uma salada genérica que deve agradar gregos, mas talvez não os troianos.

Fonte: Netflix

A quantidade de filmes e séries sci-fi de alguns anos para cá, tem sido constante. Alguns desses exemplares são fracos, alguns são mais do mesmo e alguns são realmente bons. O recente sucesso de “Fallout” subiu o sarrafo muito alto no gênero, assim como a recepção morna das duas partes dos filmes do Snyder em “Rebel Moon” deixou métrica abaixo do esperado, temos ainda histórias de ficção científica que valem o investimento como os recentes “Planeta dos Macacos: O Reinado”, “O Astronauta” e “Duna: Parte 2”.

Neste meio alguns blockbusters sci-fi tentam se destacar tentando seu lugar ao sol, como a ambiciosa superprodução da Netflix, “Atlas” (2024), protagonizado por Jennifer Lopez (A Mãe). A trama conta a história de uma inteligência artificial com corpo humanóide que ameaça a existência da humanidade, sendo que a analista Atlas Shepherd (Lopez) é a única com conhecimento capaz de dê-lo.

Sim, você já viu esta sinopse em milhões de filmes, inclusive este longa guarda muitas similaridades com o recente “Resistência” e com acreditem “Vingadores: Era de Ultron”, principalmente por conta desta IA chamada Harlan (Simu Liu), que após se rebelar, acredita que a única forma resolver o problema da humanidade, é extingui-la completamente da existência, basicamente a decisão que o Ultron toma após ficar 5 minutos em contato com a internet.

Fonte: Netflix

E o que “Atlas” traz de diferente? Difícil dizer, já que o roteiro escrito por Leo Sardarian (Star Up) e Aron Eli Coleite (Locke & Key) bebe de tantas fontes que fica complicado achar uma personalidade própria na produção. Inclusive até o clichê da protagonista com problemas no passado em relação a inteligências artificiais tem, usada aqui como espinhal dorsal para jornada de heroína da mesma.

A verdade é que Shepherd é uma personagem difícil de gostar, o primeiro ato conhecemos a personagem com estilo fodona e papas na língua que acaba por criar a antipatia do Coronel Elias Banks (Sterling K. Brown), ainda que tenha a total confiança do General Jake Boothe (Mark Strong). É claro que o roteiro telegrafado de “Atlas” denuncia que isto faz parte dos traumas da personagem, que perdeu sua mãe Val (Lana Parrilla) ainda pequena gerando todo o desenrolar da trama.

Olhando para o lado da produção, em termos técnicos, a direção de Brad Peyton é operante, o cineasta responsável por blockbusters como “Rampage: Destruição Total” e “Terremoto: A Falha de San Andreas”, não pisa no freio nos seus exageros gráficos e aproveita para jogar na tela ação desenfreada que talvez não seja marcante, mas funciona dentro da proposta do filme que tem sim seus momentos de respiro, porém na maior parte do tempo é bastante frenético.

Fonte: Netflix

Os efeitos visuais me deixaram dividido, enquanto em alguns momentos funcionam muito bem, principalmente na interação entre Shepherd e seu transporte IA, além da ambientação futurista que realmente é bacana de ver somado ao visual decente. Porém, falta um polimento maior em determinadas cenas, onde tudo acaba parecendo artificial, inclusive ficamos com uma forte sensação de vídeo game em movimento, com fases e aumento da complexidade dos ambientes.

Isto pode ser um problema ou não, vai depender do seu grau de exigência, mas a verdade é que o filme demora um pouco a engatar em termos de desenvolvimento, principalmente porque a condução de Peyton no meio do segundo ato deixa um pouco a desejar, pois é nos respiros que o longa acaba apresentando seus problemas chegando a testar um pouco a paciência do expectador.

A verdade é que o filme só não desmorona, porque Jennifer Lopez consegue segurar bem como protagonista, mas confesso que por conta da sua personagem conflituosa, achei a atriz acima do tom na primeira metade, porém quando a narrativa começa a trabalhar a dinâmica dela com sua IA Smith (voz de Gregory James Cohan), a trama decola de vez e Lopez encontra seu equilíbrio como heroína de ação.

Fonte: Netflix

O resto do elenco não tem muito destaque, apesar de achar que Sterling K. Brown (Pantera Negra), Mark Strong (1917) e Lana Parrilla (Once Upon A Time) são meras participações de luxo, ajudam a encorpar a trama com presenças pontuais. Simu Liu (Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis) no papel do vilão Harlan é apenas ok, seu melhor momento é no terceiro ato no embate final com Shepherd, mas só também, o desenvolvimento do personagem não dá espaço para o ator a crescer em cena.

Em termos gerais, “Atlas” é outro produto mais do mesmo dentro do gênero sci-fi, talvez o único destaque aqui seja uma presença maior de atores não brancos, mas isto quer dizer apenas que estão fazendo mais do que obrigação. O filme vale pelo protagonismo de Jennifer Lopez, algumas questões interessantes sobre a fusão genética entre humanos e inteligências artificiais, alguns momentos de bom humor com Smith, além de algumas decentes cenas de ação. Para alguns será pouco e descartável, para outros serve como entretenimento da vez do final de semana. Mas a pergunta fica é: Será que não merecemos um pouco mais?

Personagem: Coronel Elias Banks
Ator: Sterling K. Brown
Idade: 48 anos

O destaque da coluna de hoje é o ator Steling K. Brown, talento nato que desta vez interpreta o honrado Coronel Elias Banks. Que apesar do destaque bastante breve em “Atlas”, mostra que o ator possui uma presença de tela, mesmo que o roteiro não lhe dê o espaço devido. Um dos atores negros mais talentosos desta nova geração de Hollywood, o ator indicado ao Emmy pela aclamada série “This Is Us”, ganhou destaque também nos filmes “O Predador”, no fenômeno “Pantera Negra” e nos aclamados “As Ondas” e “Ficção Americana”, este último lhe rendendo sua primeira indicação ao Oscars. Seus próximos trabalhos serão a minissérie “Washington Black” e o filme “The Defender” do diretor George Tillman Jr. 

Gostou? Veja o trailer abaixo e comente abaixo o que achou do longa.

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