Se por um lado esse reboot é inofensivo, bonitinho, atual e carismático. Por outro lado falta foco e um pouco de personalidade que fez dos filmes protagonizados por Steve Martin um sucesso.

Existe formas arriscadas de revisitar uma obra ou atualiza-la, algumas são bem sucedidas, outras nem tanto. Fazer reboot de sucessos de bilheteria é sempre arriscado, até porque se foram bem sucedidas, tecnicamente não precisam ser revisitadas. Porém Hollywood não costuma deixar franquias descansarem e logo inventam uma forma reinicia-las e fazê-las funcionar para um público mais atual, mesmo que não seja necessário que isso seja feito.
Digo isso, porque a comédia familiar “Doze é Demais” (Cheaper By The Dozen, 2022) estreou no Disney Plus totalmente repaginada seguindo a regra de Hollywood de fazer reboot que não precisam ser feitos. Confesso que não estava empolgado com a ideia de ver outro “Doze É Demais”, até porque a versão de 2003 e a sequência de 2006 são filmes da minha memória afetiva que guardo com carinho, inclusive sempre que passam na TV, eu revejo.
Desta forma assistir essa versão nova protagonizada por Gabrielle Union (L.A.’s Finest: Unidas Contra o Crime) e Zach Braff (Scrubs) me deixou com pé atrás, mas o fato desse casal de protagonista ser interracial, atiçou minha curiosidade, sem falar que os membros da família seriam todos misturados num caldeirão de etnias e culturas vivendo sobre o mesmo teto, sendo assim fiquei curioso para saber se essa confusão familiar seria bem desenvolvida e se traria uma diversão próxima das versões anteriores.

Resumidamente a trama conta a história dessa família de 12 pessoas que precisam viver sobre mesmo teto, enquanto Paul Baker (Braff) e sua esposa Zoey Baker (Union) tentam cuidar dos filhos, precisam também cuidar do negócio da família para possam ser bem sucedidos no restaurante conhecido como “Café da Manhã dos Bakers”. O roteiro escrito Kenya Barris (Black-ish) e Jenifer Rice- Genzuk (Grown-ish) tenta adicionar certas questões raciais pertinentes, além das usuais confusões que as crianças Baker causam por onde passam.
O que você precisa saber é que “Doze é Demais” é uma comédia família inofensiva, capaz de capturar sua atenção em segundos. No começo da narrativa temos um resumo da vida dos Baker, com Paul saindo de um divórcio com duas filhas, Ella (Kylie Rogers) e Harley (Caylee Blosenski), mais o seu filho adotivo indiano de puro carisma Haresh (Aryan Simhadri). Por outro lado, Zoey também estava divorciada com dois filhas, a talentosa Deja (Journee Brown) e o pequeno DJ (Andre Robinson).
A união do casal gerou ainda mais uma dupla de gêmeos, primeiro Luca (Leo Abelo Perry) e a esperta Luna (Mykal-Michelle Harris), segundo os caçulas Bailey (Christian Cote) e Bronx (Sebastian Cole) somando ao todo onze Bakers, posteriormente a chegada de um primo da família, Seth (Luke Prael), completa o número mágico de doze. Desta vez não são doze crianças, mas dez, porém as confusões continuam a mesma, na verdade a narrativa mostra que essas questões serão mais acentuadas, pois o roteiro cria várias subtramas interessantes a serem trabalhadas durante o filme.

A direção de Gail Lerner tem um pouco de dificuldade de acertar o tom da narrativa que no começo soa bastante bagunçada e rápida demais para o expectador comum se familiarizar com todas informações que temos sobre os Bakers. Assim como o filme de 2003, leva um tempo até acostumarmos com a quantidade de personagens, mas com trinta minutos de filme, conseguimos entender melhor a dinâmica da família.
O longa vai por um terreno muito seguro com uma história que explora as dificuldades de ter uma família grande e como o casal protagonista se desdobra para dar conta do caos de cuidar de tantas crianças e adolescentes ao mesmo tempo. O roteiro acaba criando muitas vertentes para essa família moderna que é super bem resolvida e que ainda tem que lidar com a presença constante de seus respectivos ex aparecendo para causar ainda mais conflitos.
O clima da trama é leve, extrovertida e por ser um original Disney, não tem grandes pretensões de pesar no drama. À medida que as ideias de Paul vão levando sua carreira para uma jornada bastante promissora, as mudanças de uma vida melhor para ele e Zoey acaba gerando mudança de vizinhança para um lugar mais caro e rico, fazendo a vida do casal e dos filhos virarem de cabeça para baixo.

O fato de a narrativa ter muitos personagens, fica complicado dar espaço para todos, mas como citei anteriormente, o que faz desse reboot algo interessante, é o fato de a trama mexer com questões raciais sérias. Por ser produzida por Kenya Barris que é uma pessoa que já trata desses temas em suas comédias, aqui não foi diferente, colocando em pauta questões sobre racismo, bi racionalidade, xenofobia, deficiência física, intercalando com outros assuntos como sobrecarga da figura materna, conflitos familiares sobre criação dos filhos no caso de pais separados, tudo tratado de uma forma honesta e leve, mas que poderiam ter sido até melhor exploradas, mas acabam ficando no clichê barato.
No final das contas, essa versão de “Doze é Demais” é boa, não chega a ser perfeita, mas cumpre seu papel de comédia familiar da vez. Apesar de não ter o mesmo charme das versões protagonizada por Steve Martin e Bonnie Hunt, esta versão encontra seu próprio caminho ao mostrar uma família bastante atual, cheia de diversidade, enfrentando problemas comuns da vida cotidiana, mas que no final das contas ainda é cheia de amor e mostra que a união, companheirismo, amizade e irmandade, é sempre a chave para felicidade. Isso soa como algo clichê de se falar, mas ao final de tudo é o que toda família busca e esse longa exemplifica bem gerando momentos emocionantes tornando essa experiência um bom passatempo.
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