“Jurassic World: Acampamento Jurássico” – 1°- 3° Temporadas – Análise

Após três temporadas completas na Netflix, o desenho que se passa no universo Jurassic Park e Jurassic World é entretenimento de primeira que agora virou um desenho obrigatório para os fãs da franquia.

Fonte: Netflix

Pare tudo que você está fazendo, “Acampamento Jurássico” (Jurassic World: Camp Cretaceous, 2020) é a série animada que você precisa assistir agora, principalmente se você for fã de dinossauros e fã do universo criado por Michael Crichton e adaptado para o cinema inicialmente por Steven Spielberg que trouxe o longa “Jurassic Park” a vida. Este desenho tem tudo e mais um pouco num pacote que traz ação, aventura, representatividade, dinossauros e principalmente, nostalgia.

Este desenho estreou no ano passado cercado de promessas, produzido por Colin Trevorrow (Jurassic World) e Steven Spielberg (Jurassic Park), com o roteirista Zack Stentz (X-Men: Primeira Classe) ficando com a função de showrunner e responsável por tocar o barco com seus roteiristas e encaixar os eventos desta narrativa com os eventos do filme “Jurassic World – Mundo dos Dinossauros” de 2015 se passando em uma narrativa paralela que vai se interligando aos poucos ao filme protagonizado por Chris Pratt e Bryce Dallas Howard, mas seguindo um caminho totalmente independente, ainda que respeite o desenvolvimento estabelecido.

A primeira temporada do desenho é bem-sucedida exatamente por se apoiar na nostalgia (a trilha sonora de John Williams arrepia quando toca) e entregar ação, aventura e muito suspense ao longo de seus oito episódios. Porém uma das coisas que me deixou mais feliz foi o desenho colocar um protagonista negro no centro da narrativa, muito do coração da primeira temporada é o estabelecimento de Darius como personagem, um garoto esperto, amante de dinossauros que vê na oportunidade de participar do acampamento jurássico a chance de realizar o sonho que planejou com pai em visitar o parque Jurassic World, antes do falecimento dele.

Fonte: Netflix

Com essa pegada emocional, a série começa a tecer vários aspectos de uma história que ainda introduz outros cinco bons personagens centrais, o riquinho Kenji, a introvertida Yasmina, a falastrona Sammy, a descolada Brooklyn e o medroso Ben. Esses seis acabam se conhecendo durante o acampamento e acabam se unindo quando as coisas começam a dar errado e a fuga do insano Indominus Rex torna o parque do Jurassic World num verdadeiro pandemônio como soubemos no filme original dirigido por Trevorrow.

A primeira temporada introduz esse outro lado da história dos eventos de Jurassic World, enquanto começa a criar laço entre o grupo principal que acaba no final da temporada esquecido na ilha Nublar após a evacuação. A segunda temporada que estreou no começo deste ano começa cheia de expectativas e tentando resolver os ganchos deixados no final da primeira, inclusive o grupo agora com cinco participantes após a “morte” de um dos membros, precisam achar formas de sobreviver aos perigos da ilha e achar uma forma de mandar um sinal para casa.

Nesta segunda empreitada, “Acampamento Jurássico” ganha em qualidade e se apoia ainda mais na aventura para manter os expectadores ligados na história. Existe aqui um senso de desenvolvimento que depende menos dos eventos da linha temporal de “Jurassic World”, apesar de trazer algumas referências, porém Zack Stentz consegue dar mais independência para sua história se apoiando no desenvolvimento do seu grupo principal, ao mesmo tempo que aumenta os perigos e se apoia no que deu certo no primeiro ano, a presença constante de dinossauros.

Fonte: Netflix

Com mais oito episódios, a série traz diversos dinos conhecidos e novos também, se na primeira temporada Indominus Rex, Mosasaurus e o T-Rex foram os carnívoros recorrentes que deram trabalho para Darius e sua turma, a segunda temporada traz ameaças aéreas com os pterodátilos, sem falar no retorno do T-Rex e outros carnívoros como Carnotauros que marcam presença, porém do lado dos dinos aliados, temos o pequeno Ankylosaurus e mascote da turma Bolota, despontando como uma nova adição ao desenho e trazendo junto um personagem de volta ao convívio do grupo.

A temporada ainda guarda algumas surpresas, como instalações secretas na ilha ainda desconhecida por nós expectadores e não mostrada nos filmes, expandindo de uma forma rica o “canon”, além da adição de exploradores e caçadores na série, surgindo aqui como vilões humanos trazendo conflitos, traições e mais perigos que acabam até por ser ainda mais desafiadores do que a turma conviver sozinha na ilha cheia de dinossauros por semanas tendo que se virar para se alimentar e sobreviver, utilizando inclusive um destruído acampamento como um forte de sobrevivência.

Após conseguir derrotar os vilões, o grupo agora com seis membros de novo parte para missão de deixar a ilha a qualquer custo no final da temporada, dando início a uma nova empreitada. Na terceira temporada, que estreou no último dia 21 de Maio para surpresa de muitos (inclusive aqueles que vos escreve) que esperava ver o retorno do desenho só no ano que vem, mas aqui somos agraciados com dez ótimos episódios que leva a série para o ápice da aventura e da ação em uma narrativa que não para de surpreender.

Fonte: Netflix

A dinâmica do desenho não muda muito, os jovens tentam arranjar sempre alguma forma de sobreviver e sempre se metem em confusão e acabam se deparando com dinossauros querendo devorá-los. A narrativa já começa onde a segunda temporada terminou, com a turma bolando uma forma de construir um barco para escapar da ilha, porém o que se pode notar aqui é um total amadurecimento da história, seja em termos mais técnicos, seja na forma como o showrunner Zack Stentz e seus roteiristas se mostram no total controle da história, com episódios de tirar o fôlego que funcionam isoladamente, mas que em paralelo o roteiro vai moldando uma nova e letal ameaça que o grupo terá enfrentar posteriormente na figura do misterioso dinossauro que escapou do laboratório do doutor Wu na temporada anterior.

A terceira temporada ganha pontos por explorar diversos locais da ilha, principalmente na parte mais litorânea tende a mostrar novos ambientes e outros familiares ampliando o escopo de tudo que conhecemos do lugar até o momento, tudo aqui é colocado de forma bastante coerente, pequenas sementes vão sendo projetadas para aflorar no decorrer da narrativa, um ataque inesperado do misterioso dinossauro na selva, um conflito entre Sammy e Yasmina, ou Kenji e Darius, tudo é cuidadosamente escrito sem se esquecer que a série é para crianças, apesar de que os adultos devem aproveitar mais a experiência que mais uma vez é calcada na nostalgia.

Outro ponto interessante aqui é ver como a série melhora em seus aspectos técnicos, a qualidade da animação melhora a cada temporada, com paleta de cores mais vivas nos ambientes, com uma fotografia lindíssima e um visual que consegue intercalar entre o natural e o selvagem, ainda que ache a movimentação dos personagens humanos meio mecânica e estranha, o envelhecimento dos mesmos, mostra o cuidado dos animadores com os detalhes, sem falar que o visual mais limpo das temporadas anteriores, dá lugar a um visual mais sujo com um ambiente mais integrado à ação, é claro seguindo as limitações da animação, que é bastante decente.

Fonte: Netflix

No geral, “Jurassic World: Acampamento Jurássico” é um desenho entrega de uma forma bastante objetiva tudo aquilo que você gosta no universo “Jurassic Park” e “Jurassic World”, inclusive a reta final desta terceira temporada têm um ritmo frenético cheio de ação, aventura e conexões espertas trazendo dinossauros conhecidos confrontando novos dinos e ainda fazendo uma ponte esperta com o prólogo de “Jurassic World: Reino Ameaçado” mostrando a sintonia da série com os eventos dos longas e ainda preparando o terreno para o que estar por vir em “Jurassic World: Dominion” que deve estrear em meados de 2022.

Este desenho da Netflix começou como uma aventura descompromissada e nostálgica, mas agora evoluiu de tal forma que se torna uma produto obrigatório para qualquer fã da franquia de dinossauros, feito para toda a família inclusive  adultos e crianças, apesar de ter uma contagem alta de dinos matando humanos em seus episódios, não há dúvidas que o desenho é diversão garantida que tem em sua base o valor da amizade desse grupo de sobreviventes que tentam encontrar o caminho de casa, um entretenimento que vale cada segundo e promete render muito ainda no futuro, que aliás, parece muito promissor e cheio de mistério.

Gostou? Assista ao trailer da primeira temporada. Se já conferiu as três temporadas comenta ai o que achou delas até agora.

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