Um encerramento digno. A última temporada da série protagonizado por Sonequa Martin-Green possui algumas oscilações, porém com uma trama melhor estruturada, a série fecha sua jornada no universo Star Trek de forma primorosa.
Spoilers Moderados Abaixo

Parece que foi ontem que vimos a jovem Michael Burnham (Sonequa Martin-Green) e a Comandante Georgiou (Michelle Yeoh) em uma missão em um planeta desconhecido no piloto “The Vulcan Hello” dando o pontapé inicial a nova era de Star Trek na telinha da TV, primeiro na Netflix e atualmente na Paramount Plus. Na verdade se passaram sete longos anos totalizando um total de cinco temporadas e 65 episódios entre altos e baixos, mas sempre mantendo a consistência de uma trama que tinha como missão contar a extraordinária trajetória da nave USS Discovery.
Nesta semana que passou foi ao ar o último episódio da saga e com ele a certeza de um legado que deve ficar na mente de muitos trekkers, mesmo que a ala mais conservadora de fãs não tenha abraçado totalmente esta maravilhosa série. Depois de uma temporada anterior boa, mas que dava sinais de desgaste, temos aqui um último ano mais cauteloso, com uma trama mais redondinha que segue uma linha mais segura enquanto se despede aos poucos dos nossos personagens favoritos.
Algum tempo depois dos eventos da última temporada, a Capitã Michael Burnham e a USS Discovery são enviados para recuperar um artefato misterioso em uma nave romulana de 800 anos de idade. A tripulação acaba cruzando o caminho dos criminosos L’ak (Elias Toufexis) e Moll (Eve Harlow) que também estão atrás do tal objeto dando início a um arco maior que vai moldar este ano derradeiro.

O episódio “Red Directive” (5×01) é a consolidação narrativa de como “Star Trek Discovery” sabe iniciar de forma eletrizante suas temporadas. O episódio traz Michael e o retorno de Cleveland Booker (David Ajala) numa busca desenfreada que resulta numa ótima sequência de ação num planeta deserto com direito a Saru (Doug Jones) e o resto da tripulação Discovery salvando o dia no último minuto.
É partir deste começo promissor que somos apresentados a trama dos Progenitores, seres que deram origem a vida no universo e para onde o artefato, que na verdade é uma das peças que formam uma chave que pode levar a localização desses seres misteriosos. É usando esta premissa que os showrunners Alex Kurtzman (Fringe) e Michelle Paradise (The Originals) aproveitaram para usar os membros da Discovery durante as diversas missões que vão surgindo pelo caminho.
Os episódios “Under The Twin Moons” (5×02) e “Jinaal” (5×03) aproveitam para que possamos nos despedir de Saru no papel de número, e no episódio seguinte explorar as qualidades do doutor Hugh Culber (Wilson Cruz) que ganha um pouco mais de presença de tela. A série ainda aproveita para trazer uma das favoritas dos fãs de volta, a tenente Sylvia Tilly (Mary Wiseman), que assim como Paul Stamets (Anthnoy Rapp) e Adira (Blu del Barrio) funcionam como a cabeça pensante da nave.

Talvez a palavra que defina este quinto ano de “Star Trek Discovery”, seja legado. É notável que a série tenta resgatar um pouco do que sempre explorando o novo, com um senso de aventura e mistério muito genuíno que fica ainda melhor no episódio mais inventivo da temporada, “Face the Strange” (5×04), quando um inseto causa um lapso temporal criando um looping entre passado, presente e futuro fazendo que Michael e Rayner se unam para salvar o resto da tripulação.
Falando no novo número, após Saru se aposentar da Discovery para se casar, o ex-comandante Rayner (Callum Keith Rennie) assume a função a pedido de Michael. Confesso que o personagem não me conquistou de primeira, jeito sisudo, totalmente discrepante do resto da tripulação, sem falar que o ator estava carrancudo demais, porém fica claro que o roteiro precisava usa-lo como peça narrativa para ajudar também no amadurecimento da Discovery frente a uma nova ameaça.
Aos poucos o novato vai nos conquistando principalmente na metade final. Fica claro aqui que a série tenta imprimir um ritmo episódico a cada novo capítulo da temporada, sempre com uma missão que leva uma peça para completar a chave. O conflito entre L’ak e Moll se desenvolve bem levando a um embate entre a Federação e a raça alienígena Breen, que claramente se tornam os vilões da trama.

A série funciona bem quando intercala ação e ciência, com reviravoltas inteligentes que geram boas surpresas. É claro que o desgaste se torna presente, principalmente quando repete conflitos, mas desta vez o roteiro parece mais redondo na forma como não deixa abstrato sabendo exatamente onde quer chegar. Então apesar de episódios como “Mirrors” (5×05) e “Whistlespeak” (5×06) se apresentarem como mais do mesmo, episódios magníficos como “Erigah” (5×07) mostra que o seriado ainda tem combustível para queimar.
A reta final da quinta temporada de “Star Trek: Discovery” é sua melhor parte, bastante movimentada e com poucos momentos de respiro, temos aqui a busca pelo tesouro no fim do mundo enquanto as tensões de uma eminente guerra começam a se formar, como fica claro nos episódios “Labyrinths” (5×08) e “Lagrange Point” (5×09), episódios visualmente bonitos, com ação bem dosada oferecendo um entretenimento honesto preparando o terreno para o grande final com ganchos eficientes.
Talvez o maior ganho do seriado, foi ter estabelecido e explorado a diversidade de forma mais eficiente dentro desta nova era Trek, não só por ter uma personagem negra forte no centro da narrativa (com direito a romance com outro personagem negro importante na trama, viva o amor preto) no comando de uma nave da federação representada por Michael Burnham numa atuação sempre excelente de Sonequa Martin-Green (The Walking Dead), mas também trazer outras etnias e gêneros para obter um protagonismo durante estes sete anos, não só enriquecendo o lore Trek, mas também mostrando que este universo tem espaço para todos os públicos.

É desta forma que o episódio final “Life, Itself” (5×10) entra em foco se revelando não só uma conclusão excelente, mas também com uma carga emocional bastante elevada com vários momentos marcantes, seja na sequência que Michael encontra os Progenitores, seja na solução inteligente da tripulação da Discovery para se livrar da ameaça Breen numa ótima sequência de ação, seja no casamento de Saru, seja nos momentos bem novelão, seja nos breves flashbacks e também na belíssima sequência final que traz um vislumbre de um futuro bem sucedido.
Por tudo que foi comentado, “Star Trek: Discovery” fecha seu último ano com chave de ouro, entregando uma produção visualmente caprichada, com ótimos efeitos visuais, personagens que deixarão saudades e a certeza que a série merece seu espaço na saga Trek, onde com certeza fez história. Explorando uma narrativa que percorreu vastos e misteriosos universos, mediou conflitos e trouxe um caldeirão de emoções. Temos aqui uma despedida memorável de Michael e sua equipe, cravando não só sua marca, mas também deixando um belíssimo legado. Nós fãs, só podemos dizer, muito obrigado.
Observação: A revelação do verdadeiro nome do Dr Kovich (David Lynch) vai ser uma grata surpresa para os fãs trekkers.
Quer saber mais sobre a trajetória de “Star Trek: Discovery”? Leias as críticas abaixo:
Leia a crítica da primeira a terceira temporadas aqui.
Leia a crítica da quarta temporada aqui.
Gostou? Veja o trailer da temporada abaixo. Gostou do final? Comente sobre que achou nos comentários.



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