“40 Acres” – Crítica

Sobrevivendo pela família! O longa protagonizado por Danielle Deadwyler é um thriller distópico que entrega suspense, ação e drama na medida que empolga do começo ao fim.

Foto/Reprodução – Magnólia Pictures

E se de uma hora para outro, a comida no mundo se extinguisse? E se no meio disso rolasse uma guerra civil que fizesse tudo ficar ainda pior? E se a única coisa valiosa de um mundo em disputa fosse terra, onde quem tivesse um pedaço poderia ser vítima de ataques constantes? O longa “40 Acres” (40 Acres, 2024), que estreou no catálogo Netflix a pouco tempo, engloba estas questões e muitas outras para mostrar um futuro distópico não muito distante.

O filme da Magnólia Pictures dirigido pelo canadense RT Thorne, vai fundo numa narrativa que mistura drama, suspense e mistério ao colocar uma família preta e indígena que tenta manter sua fazenda dos perigos que cercam uma região onde a cobiça por territórios é constante e o perigo se a espreita a cada nova cena.

A trama começa exatamente desta forma, com a família Freeman liderada pela militar linha dura Hailey (Danielle Deadwyler) acompanhada de seu companheiro Galen (Michael Greyeyes), bem como o filho mais velho de Hailey, Emanuel (Kataem O’Connor), a filha mais velha de Galen, Raine (Leenah Robinson), bem como as filhas biológicas do casal Danis (Jaeda LeBlanc) e a pequena Cookie (Haile Amare), sendo atacadas por estranhos que vão sendo abatidos um a um mostrando a dinâmica de uma família armada e perigosa que está disposta a tudo para sobreviver.

O roteiro escrito pelo próprio Thorne e co-escrito por Glenn Taylor é bastante direto com foco na família, enquanto as subtramas vão tomando forma enquanto os conflitos familiares que envolvem o filho mais Emanuel, que algo encontrar uma estranha, Dawn (Milcania Diaz-Rojas), abre um precedente que pode colocar toda a família em risco.

Foto/Reprodução – Magnólia Pictures

Confesso que o filme demora um pouco empolgar, mas jamais desperta desinteresse quando precisa atrair nossa atenção. A trama é redondinha, tem uma vibe interessante de filme distópico, mas dentro do limite de seu modesto orçamento. É desta forma que a escrita explora muito a índole humana da curiosidade pelos olhos de um adolescente que entra em conflito com uma forma rígida como a matriarca da família conduz a vida de todos ali envolvidos.

Apesar do filme ser canadense, o longa bebe muito do estereotipo da família norte americana ligada a o militarismo e conservadorismo exacerbado. Apesar do elenco ser diverso, muito do jeito hollywoodiano de fazer cinema acaba aparecendo em muitos momentos da narrativa, dando um pouco de previsibilidade a um filme que tinha potencial para sair do elo mais clichê.

Ainda assim, vale a pena conferir “40 Acres” exatamente porque soa como um entretenimento inusitado e porque a atuação de Danielle Deadwyler vale cada momento. A atriz que pega muitos papéis versáteis, seja no ótimo western, “Vingança & Castigo”, seja em uma veia dramático com o excelente “Till – A Busca por Justiça”, ou excepcional “Piano de Família”, ou no terror “A Mulher no Jardim”, ou em um thriller de ação em “Bagagem de Risco”, a atriz sempre entrega atuações consistentes e hipnotizantes, aqui não é diferente.

Foto/Reprodução – Magnólia Pictures

É neste tom que o filme sobressai, ao apostar nesta militar que tem um dilema de proteger sua família impondo regras rígidas, ao mesmo tempo que tenta resgatar a relação desgastada com filho mais velho e manter suas filhas em segurança no meio de um caos rural que parece afastado do perímetro da família Freeman, mas que aos poucos vai se aproximando, quando ouvimos rumores de famílias sendo misteriosamente esquartejadas nas fazendas vizinhas.

A escalada de “40 Acres” pode até demorar um pouco a acontecer, mas os trintas minutos finais são simplesmente de tirar o fôlego, com sequências de ação muito bem coreografadas, não poupando violência e porradaria honesta que vai manter o público empolgado e na ponta da cadeira tentando adivinhar o que vem a seguir.

O elenco em sua maioria de desconhecidos, é bastante consistente em termos de atuação, principalmente o núcleo principal, que tem uma boa química principalmente quando estão trabalhando como um grupo. A produção é decente apesar de se mostrar limitada, porém sem nunca se perder tom mais sóbrio típico de filme independente o que deve agradar os mais exigentes.            

Foto/Reprodução – Magnólia Pictures

Por tudo que foi falado, “40 Acres” é um filme de ação e suspense que ganha pontos por trazer uma premissa que pode parecer mais do mesmo, porém entretém de forma bastante honesta proporcionando um ambiente favorável para uma atuação boa de Danielle Deadwyler, bem como uma narrativa recheada de ação e sangue que empolga do começo ao fim. Em tempos de tramas batidas, este filme serve como um frescor que vale a pena ser conferido. 

Gostou? Veja o trailer e comente abaixo sobre o que achou do longa.

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