Magnífico!!! A segunda temporada de One Piece entrega boas atuações, narrativa fluída, efeitos impecáveis e uma produção caprichada na melhor temporada da série até o momento. Destaque da coluna vai para Charithra Chandran.

Em meados de 2023, quando a Netflix lançou a versão live action de um dos animes mais populares, senão o mais popular do mundo atualmente, muito se desconfiou de que sairia algo bom. Eis que One Piece: A Série (One Piece, 2023-Presente) se provou uma versão em carne e osso muito bem sucedida, pois foi feita com fidelidade, sobre olhar de Eiichiro Oda se tornando uma das gratas surpresas daquele ano.
Corta para 2026, três anos depois da estreia da Primeira Temporada com aclamação de crítica e sucesso de público, finalmente a segunda temporada deu ar da graça no dia 16 de março. Luffy (Iñaki Godoy) e seus amigos Usopp (Jacob Romero), Nami (Emily Rudd), Zoro (Mackenyu) e Sanji (Skylar) navegando rumo a Grand Line para achar o lendário tesouro One Piece, expande um lore englobando arcos famosos do mangá e do anime.
O resultado? É o mais positivo possível com uma série que sabe ser caricata na medida e consegue entregar ação, aventura e drama nos momentos certos. O seriado retorna em “The Beginning and the End” (2×01) quando os Chapéus de Palha chegam na cidade do começo e do fim, Loguetown, a cidade onde Gold D. Roger foi executado, temos um início alucinante em um lugar cheio de mistérios e inimigos dando um fôlego para narrativa.
Neste ponto “One Piece” parece não só entender o que deu certo na primeira temporada, como começa a tomar mais liberdade mantendo a fidelidade que trouxe grande apreço aos fãs do mangá e do anime. As liberdades criativas fazem com que ganhemos flashbacks inusitados como aquele de Rogers e Garp na prisão, servindo como cenas extras para quem conhece a história e mais detalhe para quem está seguindo apenas a versão live action.

Quando Luffy e companhia chegam à montanha invertida na entrada da Grand Line e se deparam com a baleia gigante, Laboom em “Good Whale Hunting” (2×02), sentimos que a série dá um salto na ambição e qualidade, não medindo esforços para entregar uma aventura que empolga e não tem medo de trazer elementos que serão usados posteriormente (bem vindo Brook).
É assim que esta versão se torna uma narrativa dotada de carinho e cuidado, não só consolidando personagens como também introduzindo novos como os agentes da Baroque Works com as ótimas adições de Miss Wednesday (Charithra Chandran) e Mr 9 (Daniel Lasker), dentre outras novas caras incluindo Miss All Sunday (Lera Abova), Mr 5 (Camrus Johnson), Miss Valentine (Jazzara Jaslyn), Miss Goldeweek (Sophia Anne Caruso) e Smoker (Callum Kerr), só para citar algumas gratas surpresas.
O fato é que quando a série abraça o ridículo, a trama floresce de uma forma ainda mais bacana de assistir. Os episódios “Whisky Business” (2×03) e “Big Trouble in Little Garden” (2×04) mostra a riqueza visual de uma série que não tem medo de trazer ação da boa, personagens caricatos em profusão e mundos maravilhosos cheios de gigantes, dinossauros, vilões malucos como o icônico Mr. 3 (David Dastmalchian) e outras peculiaridades que mostra a riqueza do mundo criado por Eiichiro Oda.

A verdade é que a série desenvolvida por Steve Maeda e Matt Owens se consolida como a melhor série de aventura da atualidade quando se torna a melhor série adaptação de anime da atualidade. Parece confuso, mas não tem como definir um seriado que cresce de forma ascendente numa temporada que em nenhum momento se apresenta irregular, mas como uma surpresa que mesmo adaptando fielmente, encontra espaço para entregar um entretenimento que vai além do esperado.
Quando chegamos na segunda metade da temporada, vemos que “One Piece” consegue trazer ainda mais valor de produção e excelente peso narrativo dando espaço para atores como Jacob Romero (talvez o melhor da temporada) e Charithra Chandran (uma grata surpresa), ambos brilhando no ótimo episódio “Wax On, Wax Off” (2×05), o primeiro traz um medroso com coração que nos conquista pelo humor, a segunda nos conquista pelo carisma e pela química que tem com todos os chapéus de palha, ao se revelar princesa do reino de Alabasta.
Em termos de produção, é simplesmente encantador como a Netflix não poupou despesas apresentando sequências de ação grandiosas colocando Makenyu no papel de Zoro para usar suas habilidades de espada para entregar cenas memoráveis. Os efeitos visuais, a excelente trilha sonora, o design de produção, o figurino e a ambientação fazem deste live action um dos mais bonitos visualmente já produzidos pela locadora vermelha em parceria com Tomorrow Studios.

E tudo isso só fica melhor com arco final da temporada que introduz um dos personagens mais queridos deste universo de Oda. Quando Nami fica misteriosamente doente, somos levados ao reino de Drum, num dos arcos mais marcantes desta mitologia. A introdução de Tony Tony Chopper (Mikaela Hoover) no final do episódio “Nami Deerest” (2×06) é um dos ganchos mais legais que a série já proporcionou.
Portanto, fica claro que o coração de parte da temporada é da Rena mais carismáticas que se tem notícia e que entrega o melhor episódio da série no emocionante e impecável “Reindeer Shames” (2×07), não só por conhecermos a Dra Kuresha (Katey Sagal), mas também a história da relação Dr Hiriluk (Mark Harelik) e Dr Chopper que acaba resultando nos momentos mais emocionantes da série até então.
Sério, é difícil não se emocionar com as sequências destacando a sensível direção de Lukas Ettlin na forma como conta a história da pequena reina que vai fazer muito marmanjo chorar. Este de tipo de emoção é o que faz de “One Piece” uma série diferente, que realmente encanta nos momentos certos, sem perder o bom humor.

O final da temporada “Deer and Loathing in Drum Kingdom” (2×08) que traz o vilão Rei Wapol (Rob Colletti) como uma grata surpresa sendo um grande antagonista para os Chapéus de Palha, fecha a segunda temporada de uma forma grandiosa e sensível, deixando pontas soltas (Bem vindo Mr 0) que devem intensificar o arco mais esperado pelos fãs neste início, levando o grupo até Alabasta.
Por tudo que foi comentado, “One Piece” retorna depois de um longo hiato melhor do que nunca com uma trama concisa, vibrante e cheia de vida que faz com que tenhamos fé que esta adaptação irá permanecer por muito tempo na memória dos fãs. Com atores em estado de graça (Iñaki Godoy continua ótimo), uma produção caprichada e a vontade de adaptar o mais fiel possível, estamos diante de uma das melhores séries do ano facilmente, simplesmente impressionante.
Observação: A série foi renovada para terceira temporada que deve estrear ano que vem.

Elo Preto
Personagem: Miss Wednesday/Princesa Vivi
Atriz: Charithra Chandran
Idade: 29 anos
O destaque aqui vai para jovem e carismática Charithra Chandran no papel da jovem e enigmática Miss Wednesday, ou seria Princesa Vivi. A atriz entrega carisma, coração e emoção para uma personagem que já era maravilhosa no anime, mas que aqui ganha ainda mais camada com a interpretação sensível e humana de Charithra. A atriz de 29 anos já havia sido destaque na segunda temporada de Bridgerton, agora ganha a chance deixar sua marca em outra série popular da Netflix. A atriz já participou de seriados como “Duna: A Profecia” e em breve deve ser vista na terceira temporada de “One Piece” e no filme “The Input Problem” dirigido por Dean Walton.
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