Homem Maravilhoso!!! A nova série da Marvel é um tributo a Hollywood e traz frescor ao Universo Cinematográfico com atuações maravilhosas de Yahya Abdul-Mateen II e Ben Kingsley.

Saturou, mas passa bem. O Universo Cinematográfico da Marvel está aos poucos voltando ao eixo, ainda que tenha entregado produções aquém do esperado no formato de séries, como “Invasão Secreta”, o estúdio gerido por Kevin Feige (Pantera Negra: Wakanda Para Sempre) está aos poucos apostando no menos é mais, focando na qualidade de seus produtos, vide os ótimos “Coração de Ferro” e “Olhos de Wakanda”.
Neste início de 2026, o caminho continua sendo trilhado com a superprodução da Marvel Spotlight (selo adulto das produções adultas) que estreou no Disney Plus no último dia 28 de janeiro, “Magnum” (Marvel’s Wonder Man, 2026-Presente), é daqueles seriados que não se espera muito, mas que acabam entregando tudo e mais um pouco.
A série criada por Destin Daniel Cretton (Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis) e Andrew Guest (Gavião Arqueiro) baseia-se no personagem criado por Stan Lee, Don Heck e Jack Kirby, com sua primeira aparição ocorrida em um exemplar dos Vingadores em 1964. Inicialmente Wonder Man (como é conhecido em inglês algo como “Homem Maravilha”) que aqui no Brasil foi batizado de Magnum (não confundir com a série clássica), foi concebido inicialmente como vilão e depois renasceu como super-herói.
É neste sentido, mesmo desconhecido, o personagem ganhou espaço na mão de Cretton e Guest numa trama que se passa numa moderna Hollywood cheia de referências que por acaso tem o Universo Cinematográfico da Marvel (UCM ou MCU) inserido em seu contexto, ainda mais com o Simon Williams (Yahya Abdul-Mateen II) recebendo a notícia que o remake do filme do Magnum será feito, seu herói de infância favorito.
O legal de “Magnum” é ser uma narrativa metalinguística que também serve como autocrítica (fadiga de filmes de super-heróis), tributo aos filmes e a própria indústria cinematográfica semelhante ao que séries como a sensação do momento “O Estúdio”, estão fazendo. É memorável que já no piloto “Matinee” (1×01) somos introduzidos a um Simon que ama cinema e está na trajetória de se firmar em Hollywood através de pequenos, quando vê as portas se abrirem através de uma oportunidade que pode ser sua grande chance.

A série é cuidadosa na forma como vai mostrando que Simon não é um cara comum inserido neste contexto cheio de estrelas hollywoodianas e bastidores de produções conhecidas principalmente se você como expectador está bem por dentro da cultura pop. É neste contexto também que surge como peça chave o ator Trevor Slattery (Bem Kingsley), recém saído da prisão, cruza o caminho de Simon forma uma dupla inusitada.
O fato é que o grande trunfo de “Magnum” é a parceria entre Simon e Trevor, que traz um contexto bem humorado, cheio de nuances e frescor narrativa bacana que trabalha não só o contexto dos bastidores de produção, mas trata temas relevantes sobre ansiedade com fato de Simon esconder seus instáveis poderes enquanto tenta se consolidar como ator.
É neste ponto que a série se torna diferente das narrativas de super-heróis, enquanto em episódios como “Self-Tape” (1×02) e “Pacoima” (1×03) explorando as várias facetas de Simon e a origem dos seus traumas familiares, episódios como “Doorman” (1×04) que é ridiculamente engraçado, somado ao ótimo “Found Footage” (1×05) que trabalha muito bem a dinâmica Simon e Trevor, somos agraciados como uma série que sabe equilibrar estudo de personagem, bom humor e curiosidade.
Talvez estas qualidades façam “Magnum” um produto que merece nossa atenção por primariamente focar no desenvolvimento dos personagens e colocar a inserção fantástico dos super-heróis em segundo plano, não deixando de ser interessante, mas sim sendo usada como trunfo para elevar uma narrativa que já é muito envolvente com episódios que variam de 30 a 35 minutos.

Em termos de produção, o seriado é um deleite, não só por ter um roteiro moderno antenado a cultura pop hollywoodiana com citações fantásticas que vão desde o filme “A Mosca”, passando menções excelentes a “Birdman” e “Frozen”, finalizando com citações a atores e cineastas como Leonardo Di Caprio, Christopher Nolan e Paul Thomas Anderson, tudo muito bem inserido, em falas antológicas salpicado a um roteiro que se mostra melhor.
Isto tudo não seria suficiente, se o elenco não correspondesse a altura, desta forma, Yahya Abdul-Mateen II no papel de Simon Williams é uma escolha muito acertada de um ator que já participou de outras duas franquias de super-heróis com Aquaman e Watchmen, se vê aqui agraciado com outro personagem rico, complexo onde o ator vende um carisma ilimitado e um charme gigantesco, se mostrando um dos atores pretos mais talentosos da geração atual.
Em paralelo temos Ben Kingsley (Homem de Ferro 3) em estado de graça, mais uma vez no papel de Trevor Slaterry, o mandarim falso que acabou por se tornar um personagem carismático interessante com timming de comédia impecável e que aqui consegue uma química excelente com Yahya, conseguindo formar um dos melhores bromances da atualidade que se consolida no excelente episódio “Callback” (1×06).

Desta forma e por tudo que foi comentado, “Magnum” é um achado, daquelas séries que surpreende por ser dinâmica, com ritmo bom de assistir, uma comédia misturada com drama na medida, entregando episódios divertidos e bem desenvolvidos como “Kathy Friedman” (1×07) e o final da temporada “Yucca Valley” (1×08), que são verdadeiros tributos ao cinema fechando uma temporada redondinha que acaba com um gancho que vai deixar muita gente querendo mais do personagem no MCU.
No final das contas, a série que menos se apostava, foi entregue de uma forma bastante consistente por Destin Daniel Cretton (o novo Aranha está em boas mãos) e Andrew Guest, que conseguiram criar um universo contido, mas rico que tem uma produção bacana, trilha sonora maravilhosa e atuações emocionantes, capturando a aura da fantasia da sétima arte, aqui usada de forma inteligente para entregar um entretenimento de primeira.
Gostou? Comente sobre o que achou da temporada e vejo o trailer abaixo.
